O acordo que permite aos Estados Unidos assumir o controle de mais de 65 bilhões de barris em reservas comprovadas de petróleo da Venezuela reflete uma conduta “imperialista” e voltada para atender unicamente a necessidades do governo americano, avaliam especialistas, acendendo um alerta para outras nações latino-americanas.
O entendimento é que o acordo se dá em um contexto de violação da soberania venezuelana, após a ofensiva dos Estados Unidos para retirar o presidente Nicolas Maduro do poder e do país. São contornos sem paralelo na indústria de óleo e gás, numa estrutura que não deve se sustentar por muito tempo.
Ficou acertado que os Estados Unidos terão participação de 35% em uma empresa privada chamada de North American Blue Energy Partners (Nabep). Com isso, o governo americano garantirá o direito de exploração e produção de 17 campos de petróleo na Venezuela, sendo que a maioria deles pertencia a companhias chinesas e russas e a aliados locais de Maduro.
Entre outras condições, a Nabep terá concessão sobre esses campos de 100 anos. E os EUA terão a garantia de compra de 20% do petróleo produzido pela companhia a preço de custo, além de direito de preferência sobre os 80% restantes.
Conduta do século XIX
Para Leonardo Paz, professor de Relações Internacionais do Ibmec e pesquisador da FGV, o anúncio da Casa Branca desta terça-feira não pode sequer ser interpretado como um acordo:
“Foi uma situação imposta à Venezuela num contexto de violação da soberania do país. A Venezuela perdeu a soberania sobre o seu petróleo, alerta ele. “Nem com o petróleo retirado nos EUA o governo americano tem tanta vantagem. Só há precedente no imperialismo do século XIX, de colônia”, concluiu.

