O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu novamente cortar o nível da taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto porcentual, que caiu de 14,25% para 14,00%, informou o Banco Central (BC), na última quarta-feira (5/8).
Na prática, a decisão continua garantindo a festa da casta rentista às custas de quem produz e trabalha neste país. Isso porque com o quarto corte minguado na Selic neste ano, o patamar da taxa de juro real brasileira (após o desconto da inflação) se mantém acima dos 10% a.a – o maior juro real do planeta, o que favorece a agiotagem e especulação financeira, impondo pesado fardo à quem trabalha e produz, em especial os setores de comércio e serviço.
Apenas no primeiro semestre de 2026, o pagamento de juros da dívida pública – que, na prática, tem servido como um mecanismo de extração da renda da população em direção aos bancos – atingiu a soma de R$ 569,7 bilhões. Em 12 meses até junho, esse gasto supera os R$ 1,16 trilhão.
Na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os juros altos seguirão agravando as dificuldades do setor. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho deste ano. Essa foi a segunda queda seguida mensal do indicador, que acumula variação negativa de 2,7% no período.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que “não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto”. O resultado negativo do total da indústria nacional foi puxado pela indústria de transformação, que assinalou uma queda de -1,8% na comparação com maio.
“A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, completa Alban.
“Precisamos uma maneira de reduzir os juros no país”, defende Lula
“O único gasto que a gente faz na verdade é pagar R$ 1,2 trilhão de divida de juros. Esse é o gasto público. Então, nós precisamos encontrar uma maneira de reduzir essa taxa de juros”, destacou o presidente
O presidente Lula defendeu nesta quarta-feira (5), em entrevista ao podcast Meteoro Brasil, que o governo encontre uma maneira de reduzir a taxa de juros. Para ele, o país tem que diferenciar o que é gasto e o que é investimento.
“Quando você cria teto de gastos, você está limitando a capacidade de investimento. Porque no Brasil nem sempre você sabe o que é gasto e o que é investimento”, disse o presidente. “Quando você aumenta o salário de uma grande empresa de comunicação, isto é gasto ou investimento? Quando nós colocamos dinheiro para Educação, é gasto ou investimento? Para a Saúde, é gasto ou investimento?”, indagou Lula.
“O Banco Central é autônomo, ele tem autonomia. Agora. O que nós temos que fazer? Nós temos que cuidar para que, do ponto de vista econômico, a gente tenha bastante seriedade fiscal, para não gastar aquilo que a gente não tem, e, ao mesmo tempo, você trabalhar para reduzir a taxa de juros”, apontou Lula. Ele defendeu que “se você controlar a inflação e você gastar o que tem que gastar, pode sobrar alguma coisa para você investir”.
“A outra coisa muito séria que nós vamos ter que definir é o seguinte. Eu posso fazer uma dívida para fazer um investimento novo? O que acontece no mundo empresarial? Vamos pegar um banco. O banco está tendo mais clientes e resolve, está sem dinheiro, e resolve tomar 500 milhões emprestado. Ele está se endividando. Isso é gasto? Não. Ele está pegando 500 milhões, vai fazer um investimento, vai ter uma nova sede, vai poder atender mais clientes e vai dar rentabilidade”, explicou Lula.
“O Estado é a mesma coisa. Se eu quiser construir alguma obra importante, que signifique trazer benefício para o país, uma estrada, uma ferrovia, isso é gasto ou investimento? É investimento”, afirmou o presidente. “Então, se o Estado tiver que fazer uma dívida por isso, pode fazer”, defendeu Lula. “É que aqui no Brasil o Estado foi aprisionado pela Faria Lima’, denunciou.


