O governo brasileiro deu início neste final de semana ao processo formal que propõe responder, com base na Lei de Reciprocidade, às agressões do governo de Donald Trump ao Brasil. Os EUA impuseram sobretaxas de até 37,5% aos produtos brasileiros. Em nota, o Palácio do Planalto reafirma que “as tarifas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”.
Desde julho deste ano, o governo dos EUA impõe, com alegações sem nenhum fundamento, novas sobretaxas pesadas às exportações brasileiras, uma tarifa adicional de 25% que atinge 3 mil produtos, além de outra alíquota adicional de 12,5% aplicada para alguns desses itens. Acumuladas, as alíquotas podem chegar a até 37,5%, dependendo do produto.
Na nota, a Secom explica que, nesta primeira fase, “em cumprimento ao artigo 16 do referido Decreto, o Ministério das Relações Exteriores está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas”. A Lei de reciprocidade brasileira foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional.
“As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais”, afirma o governo brasileiro.
No comunicado, o governo Lula também reafirmou que “seguirá atuando para reduzir os danos causados pelas tarifas dos Estados Unidos à economia e à renda dos brasileiros”, com “medidas de proteção aos setores afetados pelas tarifas por meio do Plano Brasil Soberano”.
O presidente Lula também já liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas prejudicadas pelos tarifaços dos EUA e para negócios brasileiros impactados pela guerra de Donald Trump contra o Irã.
Afetadas por tarifas adicionais, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 12,2% no primeiro trimestre de 2026, em relação ao mesmo período do ano passado. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) afirma que “o recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas ao mercado norte-americano e levou as exportações brasileiras aos Estados Unidos ao menor nível dos últimos três anos”.
Por meio da aplicação de tarifas e chantagens, Donald Trump exige que os países abram mão de seus comércios, de suas riquezas e até de sua própria soberania para atender a interesses exclusivos das empresas estadunidenses. Os EUA, que estão em decadência econômica, tenta impor seus interesses e impedir que os países afetados ampliem seu comércio com a China, cujo foco é o respeito à autodeterminação dos povos e a cooperação entre as nações.
Depois de esbravejar que os comerciantes da 25 de Março e o PIX do Brasil (sistema de pagamentos gratuito e instantâneos) estariam prejudicando empresas dos EUA, Washington agora acusa o Brasil de ajudar o gigante asiático a driblar tarifas.
Por meio de um relatório, divulgado na quinta-feira (13), a Casa Branca diz que a China vem utilizando a prática de triangulação comercial (ou seja, desviar cargas, montar ou processar em um país intermediário para ocultar a verdadeira origem do produto) como forma de colocar seus produtos nos EUA.
Além do Brasil, os EUA se intrometem também em outros 39 países que, segundo Washington, contribuiriam com Pequim a burlar as tarifas de importação estadunidenses. No relatório, o Brasil foi incluído no “nível 2” de risco com Pequim, classificado como “integração econômica significativa”, ao lado de países como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã.

