O deputado Juca do Guaraná Filho (PSDB) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa para repudiar a possível concessão da rodovia MT-060, que liga Nossa Senhora do Livramento a Poconé, destacando que a população seria penalizada com o pagamento de pedágio.
“Sempre defendi que qualquer decisão sobre a MT-060 precisa considerar a realidade de quem depende dela todos os dias: trabalhadores, produtores rurais, comerciantes, estudantes e as famílias de Poconé, Nossa Senhora do Livramento, Chumbo e Cangas. Sou contra a implantação de pedágio nesse trecho e acredito que é possível buscar melhorias para a infraestrutura sem aumentar os custos para a população. A vontade de quem vive na região precisa ser respeitada”, afirmou o deputado.
Juca lembra que a estrada não tem movimento que justifique sua concessão, e que acabaria por acarretar enormes prejuízos aos municípios, onerando a população local. “Nós somos contra, já busquei uma agenda com o governador Otaviano Pivetta para alertá-lo que a população não precisa desse pedágio”
Uma audiência pública seria realizada para debater o tema, mas devido à pressão popular e a não concordância dos deputados, foi cancelada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
O recuo do governo estadual foi comunicado pelo deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos) durante o grande expediente da sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
Segundo o parlamentar, a suspensão ocorreu após uma série de reuniões com o chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, e o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Marcelo Padeiro. “Há pouco, em uma nova conversa com o governador Pivetta, ele confirmou que está suspensa a audiência pública que debateria melhorias para a MT-060 e ouviria a população sobre a possibilidade de uma concessão”, afirmou Diego.
A audiência pública estava prevista para ocorrer de forma virtual, sendo que a pauta fazia parte dos estudos técnicos da Sinfra para a concessão de 124,83 quilômetros das rodovias, pacote que integra o chamado Lote F da segunda etapa do Programa de Concessões Rodoviárias 2023-2026.
Além de atingir diretamente o fluxo entre Nossa Senhora do Livramento e Poconé — considerada uma das principais portas de entrada do Pantanal mato-grossense —, a possível privatização e cobrança de pedágio afetaria moradores e produtores de diversas comunidades locais, como: Cangas, Chumbo, Campina de Pedra e Figueiral.
A possibilidade de cobrança de tarifa provocou reação imediata dos parlamentares na Assembleia. O presidente da Casa, deputado Max Russi (Podemos), foi um dos principais críticos do projeto, alertando que a medida afetaria drasticamente o setor turístico e a economia de subsistência da região.
“De Livramento a Poconé é uma região de pequenos agricultores, região de Pantanal, do turismo. Não tem lógica esse pedágio, não irá agregar para o Estado, só irá prejudicar a população e criar um transtorno muito grande. O prefeito de Livramento me ligou preocupado com isso”, declarou Russi.
O presidente da ALMT também defendeu que o Legislativo mantivesse uma postura firme contra o avanço da proposta. “Nós precisamos fazer asfalto para atender uma região que precisa ser desenvolvida. Região de pequenos produtores que não têm condições de arcar com o custo de pedágio”, ressaltou.



