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Política Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026, 10:51 - A | A

Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026, 10h:51 - A | A

Menos dinheiro no fim do mês: renda disponível do brasileiro cai para menor nível da história

Inflação mais alta do que o previsto e juros elevados têm pressionado as contas das famílias brasileiras

Da Redação

Reprodução: Shutterstock

O cenário atual de inflação mais alta do que o previsto e juros elevados tem pressionado o orçamento doméstico. Hoje, de cada R$ 100 recebidos pelos brasileiros, sobram pouco mais de R$ 20 para consumo, depois de as famílias gastarem com itens essenciais e com o pagamento dos serviços de dívidas, como empréstimos e financiamentos.

 

Sem o custo das dívidas, o montante que fica disponível para outros gastos é de cerca de R$ 41. Em maio, por exemplo, a renda disponível depois de despesas com alimentação, transporte, aluguel e medicamentos era de 41,64% do total recebido (ou R$ 41,64 de cada R$ 100 recebidos).

Em 2026, os preços têm sido pressionados por causa do choque do petróleo, o que reverbera, por exemplo, em alta nos custos de fretes, combustíveis e bens industriais. Pela frente, ainda há expectativa de efeitos do que deve ser um El Niño bastante duro.

 

O El Niño vai afetar a produção de alguns alimentos, algumas culturas, principalmente no Sul. Isso vai afetar o preço dos alimentos tanto no final deste ano como no começo do ano que vem.

Um termômetro de como as projeções de inflação pioraram ao longo do ano pode ser observado na pesquisa Focus, elaborada por bancos e consultorias. Em janeiro, as projeções dos analistas para o Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) eram de 4,31%. Na última pesquisa divulgada, a previsão estava em 5,03%.

 

Conta do supermercado cada vez mais cara

Uma pesquisa recente da empresa global de ciência de dados Dunnhumby, com 10 mil pessoas, mostrou que o brasileiro gasta em média R$ 1.073,98 por mês com supermercados — o equivalente a quase 50% da renda da maior parte das famílias consultadas. Para o economista Alexandre Bertoncello, consultor financeiro da Bella Investimentos, o supermercado é onde a perda de poder de compra se torna mais perceptível, justamente por concentrar produtos essenciais do dia a dia.

Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 14% ao ano. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu em 0,25 ponto porcentual o juros e há expectativa de novo corte em setembro, o que levaria a taxa para 13,75% ao ano, patamar considerado ainda muito elevado.

 

Quem tem melhorado?

Em junho, 83,7 milhões de pessoas estavam inadimplentes, de acordo com o último levantamento da Serasa. É o maior patamar já apurado. Ao todo, as dívidas atrasadas somavam R$ 579 bilhões. A maior parte estava concentrada em bancos e cartões de crédito (27,3%), seguida de contas básicas, como de água e luz (21,3%).

“As despesas do dia, como supermercado e contas recorrentes, concentram mais da metade do orçamento. São 57% do orçamento mensal dessas famílias”, diz Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira. “Ou seja, quando as despesas essenciais ocupam mais da metade do orçamento, sobra menos margem para absorver imprevistos.”

“Em resumo, a gente tá dizendo que a perda do poder aquisitivo do brasileiro é resultado da sobreposição dos dois fatores. A inflação, tá, que encarece ali aquelas necessidades básicas, e o próprio endividamento, não por pelo endividamento em si. Mas pelos juros, que retiram a renda disponível. Aquela história de comprar comida a prazo em algum momento fica muito mais caro comprar comida porque fica inviável pelos juros.

O supermercado é o lugar mais visível, psicologicamente é o que mais afeta. Porque ele tem produtos essenciais. Mas o consumidor não necessariamente é impactado de uma maneira mais forte ali. Ele é impactado principalmente nos serviços. Mas ele consegue de alguma forma, eh, postergar o consumo ali.

E pra fechar, a questão central, não só o fato do brasileiro médio gastar mais de 1000 reais por mês no supermercado. Mas o quanto ela representa na renda das famílias. Porque quem recebe 10 salários mínimos ou 10 mil reais ou 5 mil reais ele consegue administrar melhor esse custo per capita de 1000 reais por mês. Mas a renda média do brasileiro que não supera 3 mil reais, você fala que quase, é, um terço da renda do do trabalhador, é, é destinada a comprar comida. E se você retirar a classe A que são aqueles que ganham mais de 10 salários mínimos por mês a renda per capita do brasileiro vai pra 2 e 400. E faz com que 40% seja destinado para a comida. E isso é muito forte, demonstra justamente o impacto maior pras classes mais baixas desse estudo. Demonstra a fragilidade do tecido social brasileiro."

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