Quando tudo parecia acertado na composição das forças políticas do bloco governista, a Operação Heritage da Polícia Federal (PF) caiu como um missel que provocou estragos sensíveis no arranjo político-eleitoral do grupo liderado pelo ex-governador Mauro Mendes e Otaviano Pivetta, atual mandatário máximo do estado.
O passo inicial da estratégia consistiu na bem sucedida eliminação da candidatura do senador Jayme Campos ao governo pelo União Brasil (UB), e assim garantir o apoio da legenda e coesão política do grupo palaciano em torno das pretensões políticas do governador Otaviano Pivetta e grupo político de Mauro Mendes.
O segundo passo consistiu no lançamento das candidaturas de Mauro Mendes ao Senado, Virgínia Mendes à deputada federal e do deputado federal Fábio Garcia, todos do União Brasil, à vice-governador na chapa de Pivetta (Republicanos). O escopo central da engenharia eleitoral seria unir o grupo palaciano para manter o poder político, com a vitória de Pivetta ao governo e Mauro Mendes ao Senado. Além desses dois objetivos centrais, fortalecer o grupo do ex-governador Mauro Mendes através da eleição da sua esposa Virgínia Mendes e do seu fiel aliado e operador político, deputado federal Fábio Garcia.
Considerando que o governador Otaviano Pivetta disputa o segundo mandato, em caso de vitória na atual eleição, em 2030 não teria condições de concorrer ao governo. Dessa forma, a vaga estaria disponível para Fábio Garcia em caso de renúncia de Pivetta para disputar a eleição, ou acessível à Mauro Mendes, hipoteticamente Senador da República no exercício do mandato de 8 anos, ou na hipótese de uma derrota sua na eleição deste ano, de um ex-governador que administrou o estado durante dois mandatos.
Tal como se percebe, uma engenharia política-eleitoral bem calculada e construída.
No entanto, a operação da Heritage da PF, que investiga o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) autorizada pelo STF, sob suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de R$ 308 milhões num acordo firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi, obrigou a substituição do seu nome do cargo de vice-governador na chapa do governador Otaviano Pivetta, pela suplente de deputado federal, Gisela Simona. Substituição na busca por blindar Otaviano Pivetta do desgaste inevitável, em razão da repercussão do escândalo e possíveis desdobramentos da investigação no período eleitoral.
Em primeiro plano, a substituição de Fábio Garcia desfaz a amarração política efetivada por Mauro Mendes, para manter o controle da situação sob domínio do seu grupo político no processo de sucessão do governador Otaviano Pivetta. Na sequência, o retorno de Fábio Garcia à disputa do cargo de deputado federal o coloca em disputa com Virgínia Mendes, em faixa do eleitorado que certamente estava na mira para ser canalizado para eleger a esposa do ex=governador Mauro Mendes.
Por último, o pedido de demissão do secretário da Casa Civil, Mauro Carvalho, braço direito do ex-governador Mauro Mendes. Segundo os bastidores, o pedido teria sido exigido pelo governador Otaviano Pivetta, em conseqüência do nome de Mauro Carvalho também figurar nas investigações da PF no âmbito da Operação Heritage, citado no inquérito que que apura o suposto esquema de desvio e ocultação no acordo do Governo do Estado com a Oi. A demissão de Mauro Carvalho da Casa Civil, órgão por onde transita a articulação política do governo, onde são negociadas as liberações de emendas parlamentares e recursos para parlamentares e municípios, impacta a candidatura de Mauro Mendes, o que pode ser considerado mais um revés para o projeto político do ex-governador.

