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Polícia Quinta-feira, 18 de Junho de 2026, 14:47 - A | A

Quinta-feira, 18 de Junho de 2026, 14h:47 - A | A

Justiça torna réu advogado acusado de atropelar e matar pedestre em MT

Paulo Roberto Gomes dos Santos vai responder pelos crimes de homicídio qualificado com dolo eventual, além de outras infrações.

Da Redação

A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público e tornou réu o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos pela morte da pedestre Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, atropelada em janeiro deste ano, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.

A decisão foi assinada nesta quinta-feira (18) pelo juiz Juliano Hermont Hermes da Silva, da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande. O advogado vai responder pelos crimes de homicídio qualificado com dolo eventual, quando o autor assume o risco de provocar a morte, além de outras infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro.

Em nota a defesa afirmou que Paulo irá provar que não houve intenção de matar, e ainda classificou o ocorrido como uma "lamentável fatalidade" .

Com o recebimento da denúncia, Paulo Roberto passa à condição de réu no processo. Ele terá prazo de 10 dias para apresentar resposta à acusação, indicar provas, juntar documentos e arrolar testemunhas.

Durante as investigações, o advogado negou ter atropelado a vítima e afirmou que a idosa teria batido contra o veículo. O entendimento da Polícia Civil, no entanto, é diferente. Segundo o delegado Christian Cabral, da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), as imagens analisadas durante o inquérito indicam que o motorista teria condições de evitar o atropelamento.

“Ela bateu no meu carro pelo lado do motorista. Eu tava vindo sentido Cuiabá. Estava desde cedo com dor de cabeça, e me deu vontade vomitar. Abri a janela do carro e vomitei, e ai passou um vulto”, declarou o advogado durante o depoimento.

Segundo a Guarda Municipal de Várzea Grande, o acidente ocorreu quando a vítima tentava atravessar a rua e foi atingida pela caminhonete de Paulo e arremessada para o outro lado da avenida. Em seguida, foi atropelada por um segundo veículo.

De acordo com a Polícia Civil, após o atropelamento, o advogado deixou o local sem prestar socorro, mas foi localizado e preso pouco tempo depois nas proximidades de um shopping do município.

Quem é o advogado

Conforme a polícia, o advogado matou a tiros o delegado Eduardo da Rocha Coelho, atingido com um disparo na nuca. Após o crime, ele fugiu do estado e passou a viver em Mato Grosso usando o nome falso Francisco de Ângelis Vaccani Lima. Ele foi condenado, em 2006, a 13 anos de prisão.

Em outro caso, Paulo foi denunciado pelo Ministério Público pelo assassinato da estudante de enfermagem Rosemeire Maria da Silva, de 25 anos, ocorrido em 2004, em Juscimeira, a 164 km de Cuiabá.

Segundo as investigações, a jovem foi asfixiada em uma banheira de motel, teve o corpo decapitado e jogado em rios da região. Ele foi condenado a 19 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsificação de documentos.

Atropelamento de idosa
O atropelamento ocorreu quando Ilmes tentava atravessar a Avenida da FEB a pé. Imagens do circuito de segurança da via registraram o momento em que a idosa atravessava a avenida quando foi atingida pela caminhonete conduzida por Paulo Roberto. Com o impacto, o corpo da vítima foi arremessado para o outro lado da via e acabou sendo atropelado novamente por outro carro.

Após o acidente, Paulo fugiu do local sem prestar socorro. Já o condutor do segundo veículo permaneceu no local, prestou esclarecimentos à polícia e foi liberado. Imagens de câmeras de segurança analisadas pela investigação mostram que a vítima estava a menos de 50 centímetros do canteiro central da avenida, praticamente concluindo a travessia, quando foi atingida.

O advogado deve responder por homicídio doloso por dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de provocar a morte, além do crime de fuga do local do acidente, conforme o informado pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran).

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