A maioria dos brasileiros afirma que a própria renda não tem acompanhado o aumento do custo de vida. Os dados são da pesquisa Genial/Quaest, realizada de 5 a 9 de fevereiro, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país.
Do total de entrevistados, 55% dizem que já não conseguem comprar o que compravam antes; 31% afirmam que a renda tem acompanhado a alta dos preços; e 12% declaram que os ganhos superaram a inflação e que vivem melhor.
Para o cientista político e sócio-fundador da Quaest, Felipe Nunes, o resultado ajuda a explicar a dificuldade do governo Lula (PT) em traduzir bons indicadores econômicos, como PIB e emprego, em popularidade.
"Como a pesquisa mostra, a renda das pessoas não está acompanhando suas despesas. Só 15% dizem ter rendimento acima do custo de vida, a ponto de afirmar que vivem melhor. É pouca gente", diz Nunes.
A percepção negativa é majoritária em todas as faixas de renda familiar. Ela atinge 57% entre os que recebem até dois salários mínimos, 54% entre os que ganham de dois a cinco e 53% entre aqueles acima desse patamar.
No recorte regional, a percepção de perda de poder de compra é majoritária em todo o país: 58% no Centro-Oeste/Norte, 56% no Sudeste, 55% no Sul e 52% no Nordeste afirmam que a renda não tem acompanhado a alta dos preços.
A avaliação do presidente Lula varia conforme essa percepção. Entre os que dizem que os ganhos ficaram para trás, 64% desaprovam o governo e 30% aprovam. No grupo que afirma ter superado a inflação, o cenário se inverte: 79% aprovam a gestão, ante 19% que a desaprovam.




