As notícias sobre o novo tarifaço do governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e o envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pelo financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afetaram o desempenho do pré-candidato à Presidência na pesquisa Genial/Quaest. Novos dados do levantamento mais recente apontam que o senador perdeu apoio especialmente entre evangélicos, mulheres, jovens e na região Sudeste.
Na pesquisa, 65% disseram que Flávio errou ao pedir financiamento a Vorcaro; 60% consideram que o envolvimento entre os dois levanta suspeitas; e 58% acreditam que o candidato pode estar escondendo envolvimento ilegal no caso. Isso reforçou a percepção de envolvimento do candidato com corrupção, apontada por 62% dos brasileiros ouvidos, como destacou a coluna da jornalista Miriam Leitão. A sondagem também captou a percepção pública sobre a atuação do senador e de Lula no caso do novo tarifaço imposto pela gestão de Donald Trump nos EUA e os efeitos econômicos da medida.
O detalhamento por região, sexo, idade, renda, escolaridade e religião ajuda a explicar como o pré-candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), abriu seis pontos de vantagem sobre Flávio no cenário simulado de eventual segundo turno: 44% a 38%.
Os novos dados apontam também que Flávio Bolsonaro perdeu a dianteira no segmento mais jovem do eleitorado (16 a 34 anos), única faixa etária em que, até então, tinha vantagem numérica contra Lula. De maio a junho, o pré-candidato do PT avançou de 38% a 44%, e o do PL caiu de 45% a 39%. A margem de erro, neste caso, é de quatro pontos percentuais.
Desde que foi anunciado como o nome do PL na corrida à Presidência, Flávio adequou o discurso para atrair o eleitorado feminino e tentar reverter a rejeição herdada do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, entre as eleitoras. Os dados da Quaest, porém, mostram que os acontecimentos recentes ampliaram a vantagem de Lula no segmento das mulheres. Desde abril, o petista foi de 42% a atuais 47%. Flávio, por sua vez, marcava 37% em abril, oscilou para 36% em maio e agora aparece 14 pontos atrás do oponente, com 33% (nesse recorte, a margem de erro é de três pontos).
Na sondagem entre os homens, também com margem de três pontos, o senador tem vantagem numérica, 44% a 41%, mas o cenário é de empate técnico. Em maio, Flávio liderava esse estrato por oito pontos.
Ainda segundo os novos dados, Flávio também perdeu força entre os evangélicos, mas ainda lidera nesse estrato. De maio a junho, a diferença entre ele e Lula caiu de 37 para 21 pontos. No período, o senador passou de 61% a 52%, e Lula avançou de 24% a 31%.




