O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pode representar riscos ao sistema de pagamentos PIX e gerar insegurança jurídica e econômica para o Brasil.
Segundo o ministro, existe a preocupação de que autoridades norte-americanas utilizem a nova classificação para justificar sanções contra instituições financeiras brasileiras. Em entrevista ao Jornal da CBN, Durigan destacou que eventuais acusações de uso do PIX por organizações criminosas poderiam abrir espaço para medidas restritivas por parte do governo dos Estados Unidos.
“Se houver uma alegação dizendo que determinado banco brasileiro tem contas do PCC, a autoridade norte-americana pode sancionar esse banco pelo Tesouro norte-americano e impedir ele de operar com o PIX. No México, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou com uma ação e fechou três bancos, a partir de uma designação de relação com organizações terroristas”, declarou.
Durigan informou que realizará reuniões ao longo da semana com autoridades norte-americanas para tratar da decisão envolvendo as facções brasileiras. De acordo com ele, a classificação pode ter impactos indiretos sobre o sistema financeiro nacional e atingir instituições bancárias que operam o PIX.
O ministro ressaltou que o PIX representa um dos principais instrumentos da infraestrutura financeira brasileira e que qualquer tentativa de interferência externa deve ser observada com cautela.
“Claro que a gente fica preocupado, porque se alguém do governo dos Estados Unidos apontar, com base em alguma informação que não é compartilhada com o governo brasileiro, de que o PIX está sendo utilizado para o crime organizado, nós vamos ficar sujeitos a esse tipo de ataque. E veja, o PIX é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil”, afirmou.
Durigan também comentou a investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Segundo ele, o procedimento possui caráter predominantemente político e não técnico.
“Ela tem um caráter político, muito mais do que técnico. A gente tem esclarecido e participamos das conferências e das audiências com os técnicos norte-americanos, e eles próprios reconhecem que isso já foi esclarecido outras vezes”, disse.
Na sequência, o ministro criticou a atuação da família Bolsonaro no episódio.
“Em paralelo a isso, a gente vê a movimentação da família Bolsonaro com relação à designação de organizações que causam terror no Brasil. É uma forçação de barra sem fim”, concluiu.




