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Política Terça-feira, 03 de Março de 2026, 10:24 - A | A

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Guerra no Oriente Médio: problema de munição pode limitar ações de EUA, Israel e Irã

Consumo acelerado de interceptadores, produção lenta e custos milionários colocam estoques no centro das decisões militares no conflito

Da Redação

Em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, com bombardeios cruzados e sucessivas ondas de ataques com mísseis e drones, um fator começa a pesar nas decisões militares: o nível dos estoques de munição.

Alerta no Pentágono

Segundo autoridades e analistas ouvidos nos Estados Unidos, o governo corre para enfraquecer rapidamente a capacidade iraniana de lançar mísseis e drones antes que seus próprios interceptadores, usados para neutralizar ataques inimigos, se esgotem.

De acordo com informações divulgadas pelo The Wall Street Journal, o volume exato desses armamentos é confidencial. Após anos de confrontos indiretos com o Irã e seus aliados na região, esses estoques vêm sendo gradualmente consumidos.

“Um dos desafios é que esses estoques podem acabar rapidamente”, afirma Kelly Grieco, do Stimson Center, ao WSJ. “Estamos consumindo esses sistemas mais rápido do que conseguimos repor”, adverte.

Durante o confronto de junho de 2025, entre 100 e 250 interceptadores THAAD foram lançados pelos Estados Unidos, volume que pode representar até metade de todo o estoque disponível do Pentágono. Além disso, os 80 mísseis SM-3 utilizados equivaleram a quase um quinto do arsenal projetado para o fim de 2025, segundo estimativas do Center for Strategic and International Studies.

Analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal alertam que um prolongamento do conflito pode deixar expostas bases americanas e posições aliadas em países árabes, em meio a incertezas sobre a quantidade de baterias antiaéreas disponíveis na região. A manutenção do ritmo atual poderia comprometer a capacidade de reposição e abrir brechas na defesa de alvos estratégicos.

Israel: estoques pressionados

Na guerra em junho de 2025, de acordo com o The New York Times, Israel, assim como os Estados Unidos, viu seus estoques encolherem, especialmente os interceptadores Arrow 3, desenvolvidos em conjunto pela Boeing e pela Israel Aerospace Industries, e usados contra mísseis balísticos de longo alcance.

Além do Arrow 3, Israel depende do sistema Domo de Ferro, voltado a foguetes de curto alcance, e do David’s Sling, que intercepta mísseis de médio a longo alcance que não atingem altitudes muito elevadas. A produção desses interceptadores, no entanto, é lenta, cerca de 24 unidades por ano, segundo especialistas.

Irã: fogo em conta-gotas

Do lado iraniano, o desafio é diferente. Segundo Pini Yungman, ex-chefe de defesa aérea israelense, Teerã adota uma estratégia de “fogo em conta-gotas” para evitar esgotar rapidamente seu arsenal.

Ele estima que o Irã já tenha disparado entre 150 e 175 mísseis contra Israel nos últimos dias, além de lançamentos contra países do Golfo, totalizando cerca de 250.

“Eles ainda têm capacidade para manter o ritmo por alguns dias, mas não por semanas ou meses”, afirma.

De acordo com informações do Haaretz, o arsenal iraniano seria superior a mil mísseis, embora parte tenha sido destruída em bombardeios recentes contra bases militares e instalações ligadas ao programa de mísseis.

Com The New York Times e AFP.

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