O vice-prefeito de Várzea Grande, Tião da Zaeli (PL), preferiu manter silêncio, ao menos por enquanto, diante da escalada de uma nova crise política com a prefeita Flávia Moretti (PL). O descompasso entre os dois tem se intensificado após quebras de acordo e mudanças em secretarias que até então estavam sob liderança do grupo político de Zaeli.
Com semblante fechado, o vice-prefeito disse no fim da tarde desta quarta-feira (11) que não pretende comentar o assunto neste momento.
“Tem muita coisa acontecendo, vou falar no momento certo.”
Ao longo do dia, Zaeli evitou conversas até mesmo com aliados próximos, afirmando que estava “sem cabeça” para tratar do tema. A interlocutores, no entanto, indicou que pretende dialogar com aliados nesta quinta-feira.
Apesar da tensão política, o vice-prefeito manteve agenda institucional e participou de evento ao lado do presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), Wenceslau Júnior. Na ocasião, foi lançado um livro sobre a história do Colégio de Corregedores do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).
O movimento ocorre em meio a outro cenário que envolve Zaeli. O vice-prefeito disputa o comando do Sistema Fecomércio, Sesc e Senac de Mato Grosso para o quadriênio 2026–2030. Caso seja eleito, poderá se afastar da administração municipal para assumir a entidade.
Enquanto Zaeli se movimenta no campo empresarial, dentro da prefeitura o ambiente segue marcado por desgaste político. O episódio mais recente teve origem após entrevista concedida por Flávia Moretti à Rádio Jovem Pan, em 10 de fevereiro, quando afirmou não ter controle sobre o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE) e atribuiu a condução da autarquia ao vice-prefeito.
Na ocasião, a prefeita indicou que pretendia retomar o controle da estrutura administrativa.
“Eu já falei, 2026 é outra Flávia, é outra prefeita. Se hoje estão jogando a culpa do DAE em cima de mim, então me entrega a chave do DAE.”
Após a declaração, houve mudança no comando da autarquia. Moretti decidiu substituir a direção do DAE e nomeou o vereador licenciado Rogerinho da Dakar (PSDB) para presidir o órgão.
A crise ganhou novo capítulo nesta quarta-feira com a informação de que o secretário municipal de Educação, Igor Cunha, nome ligado ao grupo político de Zaeli, teria sido retirado do cargo. A decisão teria sido discutida em uma reunião entre o vice-prefeito e a prefeita realizada pela manhã, na sede da Associação Mato-grossense de Atacadistas e Distribuidores (Amad).
O encontro, segundo relatos de bastidores, foi marcado por divergências entre os dois grupos políticos.
Após o embate, a prefeita teria decidido reassumir diretamente o controle da Secretaria de Educação, considerada uma das pastas estratégicas da gestão municipal. Até o momento, porém, a exoneração ainda não havia sido publicada no Diário Oficial.
Também passou a circular nos bastidores a possibilidade de mudanças na Secretaria de Obras, atualmente comandada por Celso Luiz, outra área ligada ao grupo do vice-prefeito. Entre aliados de Zaeli, a avaliação é de que as movimentações indicam uma tentativa de enfraquecer o espaço político do vice dentro da administração.
“Flávia não tem palavra, diz uma coisa e depois diz outra.”, afirmou uma fonte ligada ao grupo de Zaeli.
A tensão entre prefeita e vice não é inédita. Em março do ano passado, os dois já haviam enfrentado uma crise semelhante, também motivada por divergências internas e supostas quebras de acordo.
O desgaste ganha peso político adicional porque Zaeli foi um dos principais articuladores da campanha que levou Flávia Moretti à vitória na eleição municipal, atuando como um dos grandes responsáveis pela consolidação da atual gestão em Várzea Grande.
Reprodução: Allan Mesquita - Fato Agora




