O comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas chegou a 29,7% em fevereiro deste ano, segundo dados do Sistema Financeiro Nacional (SFN), divulgados nesta segunda-feira (27/4) pelo Banco Central (BC). O patamar atinge um novo teto histórico da pesquisa, iniciada em março de 2011.
O recorde anterior havia sido registrado em janeiro, em 29,5%. A sondagem leva em conta a renda total das famílias descontando pagamentos de impostos e contribuições.
INADIMPLÊNCIA E QUEDA CONSUMO
Ocorre que, ao fixar uma taxa Selic próxima de 15% ao ano, o BC cria entraves para a recuperação financeira das famílias, pois inviabiliza renegociações a juros mais baratos. Além disso, os juros elevados alimentam a inadimplência em uma economia que desaquece, também por efeito dessas taxas, que inibem investimentos privados e públicos, reduzem o consumo e, por consequência, contribuem para a eliminação de vagas formais de trabalho no país.
Em março, a taxa média de juros atingiu 61,5% ao ano no crédito livre às pessoas físicas. Segundo o BC, no mês passado, a inadimplência chegou a 5,3% nas operações de crédito às famílias.
30% SEM CONDIÇÕES DE SAIR DA INADIMPLÊNCIA
De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80,2% das famílias estavam endividadas em março deste ano. Desse total, quase 30% afirmaram não conseguir pagar suas contas, ou seja, estavam inadimplentes, com CPFs negativados.
Essa sondagem considera dívidas com cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
Já o indicador de inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil revela que, em março, 74,31 milhões de brasileiros estavam inadimplentes. O volume representa 44,42% da população adulta do país. A pesquisa da CNDL leva em conta dívidas básicas, como água e luz (27,28%), seguidas por bancos (17,26%), comunicação (14,82%) e comércio (2,14%).
NOVA VERSÃO DO DESENROLA
A fim de melhorar as condições de endividamento das famílias, o governo Lula deve anunciar uma nova versão do Desenrola Brasil, criado em 2023. Nesta segunda-feira, o Ministério da Fazenda deve se reunir com representantes de bancos, em São Paulo, para definir os últimos detalhes do programa, que deve incluir microempreendedores, pequenos empresários e devedores que recebem até cinco salários mínimos.
O Desenrola deve manter juros mensais baixos, em torno de 2%, com bancos oferecendo descontos que variam de 20% a 90% sobre o valor total da dívida, incluindo principal e encargos. Além disso, os devedores poderão utilizar até 20% do saldo do FGTS para quitar débitos.
Esse refinanciamento terá aval do governo federal, por meio do Fundo Garantidor de Crédito. O aporte do Tesouro pode chegar a até R$ 10 bilhões em caso de inadimplência.




