Dias após deixar o BBB 26, Babu Santana, de 46 anos, reconhece que ainda está assimilando tudo o que aconteceu durante o seu confinamento na casa mais vigiada do país e também as reações do público em relação à sua participação. Em entrevista, o ator conta que sua segunda experiência no reality foi intensa e, em muitos momentos, a pressão emocional acabou interferindo em seu comportamento no jogo.
"Olha, está sendo um pouco traumático, até porque eu estou sendo julgado para além do jogo. Eu reconheço. Eu estou sendo julgado até no momento que eu reconheço que eu errei. Eu não estou tendo nem direito de pedir desculpa. Isso está me deixando um pouco triste", avalia.
Depois de rever parte do que aconteceu no programa e acompanhar os comentários nas redes sociais, Babu admite que o ambiente do jogo amplifica as emoções e os conflitos. "Eu, de fato, concordo com muitas críticas de que eu fui em um ímpeto muito forte, de que eu exagerei na energia. Até das pessoas que gostam de mim: 'Olha, você ficou muito obcecado por certas questões no jogo'. E essa obsessão, esse ímpeto, essa fúria me atrapalhou um pouco", afirma.
Babu acredita que houve momentos em que perdeu a leveza que tinha no início do programa. Mas só hoje, após sair do BBB 26, consegue perceber com mais clareza. "Entendo que o nível de complexidade que eu trouxe e os questionamentos são legítimos, mas poderiam ser abordados de formas mais leves, assim como consegui abordar no BBB 20", analisa o Veterano, que não chegou à final do BBB 20, mas foi bem longe no jogo, terminando em quarto lugar.
Leia a entrevista completa:
Já se passaram dois dias desde que você deixou a casa do reality. Depois de começar a ver a repercussão da sua participação aqui fora, como tem sido esse momento para você?
Babu Santana: Olha, está sendo um pouco traumático, até porque estou sendo julgado para além do jogo. Reconheço. Estou sendo julgado até no momento que reconheço que errei. Não estou tendo nem direito de pedir desculpa. Isso está me deixando um pouco triste. Isso vai dar muito trabalho para a minha terapeuta (risos). Mas quando a gente topa, o jogo é sobre isso. É sobre argumentações, é sobre opiniões. Então estou aqui reavaliando. Eu, de fato, concordo com muitas críticas de que fui em um ímpeto muito forte, de que exagerei na energia. Até das pessoas que gostam de mim: "Olha, você ficou muito obcecado por certas questões no jogo". E essa obsessão, esse ímpeto, essa fúria me atrapalhou um pouco.
Até porque consegui trazer, no começo do jogo, uma leveza, uma doçura, uma brincadeira. E esse desejo de não ficar parado, de movimentar, esse ímpeto, acho que me atrapalhou um pouco. Os meus questionamentos de vida, que são coisas que trago na vida, têm muita carga forte. Acho que despejei o caminhão em cima de uma pessoa só e isso me atrapalhou. São assuntos complexos que deveriam ser debatidos por semanas, meses, anos. E quis resumir em palavrões, truculência. Acho que não fui inteligente nesse momento, nessa questão.
Porque eu poderia trazer todos os questionamentos, todos os posicionamentos que trouxe. Inclusive, vendo de fora, eu seria o contraponto da principal personagem desse jogo [Ana Paula]. Eu poderia fazer esse contraponto de forma mais inteligente. E posso pedir desculpa pelas minhas ações. Às pessoas que ficaram frustradas comigo, eu diria: "Assistam aos filmes que fiz, assistam às novelas que fiz, vejam uma peça em que eu estiver em cartaz, venham conversar comigo. Sou uma pessoa aberta ao diálogo. Venham conhecer o Babu ator. Vocês não conhecem o Babu ser humano. Vocês conheceram o Babu jogador de Big Brother. Venham conhecer o Babu ser humano, venham conhecer o Babu profissional. Tenho certeza de que vocês não vão se decepcionar, porque não me resumo a esses cortes de internet.
Olhando em retrospecto, você consegue identificar em que momento o jogo desandou para você e essa intensidade acabou tomando conta?
Babu Santana: Acho que ainda não tive tempo de avaliar isso. Como falei, venho trazendo uma carga de vida há muito tempo, muito pesada também. A carga que tive que carregar foi muito pesada também. E não vim aqui pedir piedade e clemência. Vim avaliar que não tive inteligência de usar toda essa carga de vida, que também é positiva. Não consegui trazer a minha carga positiva para dentro desse jogo. E acho que 60 dias vivendo de forma incomum… Você não fechava a porta do banheiro para fazer suas necessidades. Você não apagava a luz para dormir. Você convivia com pessoas estranhas que você não conhecia, que estava aprendendo a conhecer, a conviver. Comportamentos, tom de voz… Acreditar que ia conseguir mais uma vez ficar 100 dias confinado.
Eu acho que o principal jogo de resistência é resistir 100 dias vivendo de forma atípica. Então, acho que, dessa vez, não consegui. As pessoas que me conhecem intimamente começaram a me questionar em vários momentos: "O que estava acontecendo naquela hora?". Eu também quero me reavaliar, porque não vi tudo. Eu só vi os cortes. Estou muito triste, muito triste, porque não me orgulho nem um pouco dos cortes que venho assistindo. Não me orgulho. Essas coisas não me resumem. Me chamar de assediador, me chamar de machista… Machismo! Nós, homens, em um sistema patriarcal, somos potenciais machistas sempre. Acho que devemos buscar a desconstrução.
E como você busca se desconstruir nesse sentido?
Babu Santana: Venho buscando essa desconstrução desde que a minha mãe mostra para mim coisas que foram imputadas para a mulher e que não necessariamente seriam só para mulheres, como tarefas domésticas, como respeitar uma mulher. Todo momento venho me desconstruindo. E quando você faz um corte de duas pessoas disputando uma grana e me excedo, também acho que ali eu poderia ter me desconstruído e entender que estava falando com uma mulher, por mais que eu divergisse dela. Então, são esses pontos que levo de reflexão, e não que isso me resume. Não consigo te dizer onde foi que me perdi. Outras pessoas — não vou ficar expondo as pessoas — também estavam muito cansadas com a rotina do dia a dia do BBB. Então, acho que em algum momento isso me cansou, me fatigou e me excedi em algum ponto. Ainda vou analisar isso.
Eu e minha terapeuta vamos analisar isso e me proteger no dia a dia com alguma terapia, com algum medicamento. Mas não soube explorar uma coisa que acho que tenho de bom, que é a inteligência. Eu não fui inteligente. Peço desculpas, mais uma vez, principalmente para a minha família, meus filhos, que estão vendo esses cortes horrorosos e comentários horrorosos na internet. Ultrapassou a linha do jogo. Mas também isso faz parte do jogo, eu sabia.
Estou aqui assumindo e admitindo meus erros e excessos, pedindo desculpas, até porque um ser humano tem o direito a se retratar, a se repaginar, a reavaliar e ver se fez certo ou errado. Tive muitas atitudes erradas, mas isso não resume a minha vida. Espero que isso não fira, porque as únicas pessoas que me interessam agora sentar e conversar são a Chaichai, o Juliano, o Marcelinho, são as pessoas que eu amo. Se, estrategicamente, se associar ao meu nome é uma coisa ruim na internet — porque hoje a palavra de ordem é "moer o Babu", "vamos bater no Babu", é o que está engajando — vamos ignorar 30 anos de carreira, uma carreira brilhante, um pai presente.
Vamos ignorar tudo isso e vamos bater no Babu porque ele gritou com uma pessoa dentro de um jogo que estava disputando. Beleza. Eu aceito. Eu entrei nesse jogo sabendo disso. Não sou inocente. Então, sei disso. Mas venham em mim, que estou aqui pronto para receber todas as críticas, todas as avaliações. Estou reavaliando meus conceitos. Até porque não saio na rua gritando com todo mundo, com qualquer um, com qualquer coisa. Não sou louco. Vocês não podem achar que faço a mesma coisa que fiz no jogo na minha vida. Então, aceito todas as críticas, reafirmo minhas desculpas e estou revendo meus conceitos.
Mas posicionamentos… Gente, sempre fui contra qualquer tipo de coisa que estou sendo acusado. Acho que tinha que ser avaliado no jogo. Como estamos avaliando, eu me excedi, sucumbi às loucuras que são impostas em nós e não soube ser inteligente, como a Ana Paula está sendo, como o Juliano está sendo, como o Cowboy está sendo, como as pessoas estão, de forma leve, disputando aquele jogo como ele deve ser jogado. E estou aqui pagando a pena de estar fora do jogo por não ter tido a inteligência emocional que deveria ter.
Mesmo em meio aos conflitos do jogo, alguns gestos mostraram carinho por você dentro da casa. O que você sentiu ao ver, por exemplo, comentários de colegas lamentando sua saída?
Babu Santana: Eu, por exemplo, no primeiro programa que fiz depois de sair, ainda estava quente, ainda estava crendo nas coisas que estava falando, ainda estava pensando na energia do jogo que estava jogando. Foi até nesse momento que vi a Milena lamentando que eu tinha perdido o apartamento. Também lamentei muito estar no paredão com ela. Quero muito que ela ganhe um líder, que ganhe um apartamento. Torço muito para ela e para a Chaichai ganharem.
Desde que comecei a ver, no começo do jogo, falei isso também. Mas, como a ordem agora é bater, as pessoas ignoram o que falo. Em um dado momento, falei que não sou merecedor de ganhar esse prêmio. Olha a história de vida dessas pessoas, olha a luta que as pessoas têm. Olha o que a Chaichai passou: cinco dias dentro do Quarto Branco, comendo biscoito, ficando toda cagada (risos). Quando o pessoal do Quarto Branco entrou, falei que não sou merecedor desse prêmio. Aquilo me deixou muito reflexivo. Por isso que acho que a Chaichai é muito merecedora desse prêmio. O que ela passou para entrar nesse jogo, o quanto ela acredita que esse jogo é a fonte principal da vida dela, o quanto a história de luta da família dela, a necessidade dela fazer esse jogo acontecer para que ela possa prover a família... Uma menina tão nova, tão jovem.
E eu ficava assim: "Cara, a minha vida ainda não está estável". Uma das coisas de eu topar também era poder tentar botar a minha vida no prumo, pagar minhas contas. Mas eu achava muito mais digno o esforço que ela fez do que o meu. Achava muito mais digno esse prêmio ir para a tia Milena do que vir para mim. Porque não ganhei o apartamento, mas você pode crer que vou trabalhar. Se as pessoas me deixarem trabalhar, vou trabalhar, vou me esforçar e vou, sim, conseguir comprar o meu apartamento com os meus esforços, com o meu trabalho. O Babu Santana é isso aqui que está dando a entrevista para você. O Babu do BBB, que estava disputando, é outra coisa.
E quanto à Ana Paula? O que você sente por ela agora?
Babu Santana: Eu também não quero mal à Ana Paula. Por mais avaliações que tenha tido dela, impressões, não quero o mal dela. Se ela ganhar, que seja feliz. Ela me mostrou ter uma inteligência, sobretudo para questão de internet, de opiniões, muito forte. Então, ela tem o mérito dela também. Que ela seja feliz. Que cada um que esteja vendo essa entrevista seja feliz. O importante é que o ser humano busque sua felicidade, busque a profissão que te faça feliz, busque a pessoa que te faça feliz. Eu acredito no amor. Estou arrependido e pedindo desculpa porque vi uma agressividade em mim que quero deixar longe da minha vida. Quero cada vez menos ser furioso, violento. Eu quero isso para fora da minha vida. Isso já vem em um processo desde que sou adolescente. E ele vai continuar, porque nós não somos perfeitos e a gente vai sempre errar.




