Em meio às mais recentes revelações do caso Master, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, atuou nos últimos dias em diferentes frentes para conter a crise que atinge a Corte. Fachin buscou os colegas para tratar do tema, inclusive o relator, André Mendonça, e passou recados durante encontro com presidentes de tribunais superiores. Instado por advogados, o magistrado sinalizou ainda que as investigações não ficarão “debaixo do tapete” e vão ocorrer, “doa a quem doer”.
Esta última ponderação ocorreu durante um encontro com o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti, e representantes da entidade em 27 Estados.
Segundo interlocutores, os advogados questionaram o presidente do STF sobre as revelações de proximidade de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro e foi então que Fachin sinalizou que as apurações conduzidas pela Polícia Federal serão devidamente analisadas.
Já com relação ao código de ética, o ministro teria reforçado que a ministra Cármen Lúcia está debruçada no tema e apresentaria o texto “em momento oportuno”, dizem interlocutores.
Pouco antes do encontro com os advogados, Fachin se reuniu com presidentes de tribunais superiores e de segunda instância de todo o País e acabou passando uma série de recados. O ministro reconheceu, diretamente, o “momento de tensão” pelo qual passa o Judiciário, mas citou somente a discussão sobre os supersalários e penduricalhos.
Em discurso para os magistrados, Fachin ressaltou que os juízes “não têm o voto” e por isso não podem “jamais abrir mão de justificar decisões”.
“— Elas devem ser escrutinadas amplamente, com toda a transparência, e devem ser capazes de sobreviver ao mais impiedoso exame público — ponderou, completando que, sem o debate, a ‘confiança no Judiciário se desfaz’.”
“— E sem confiança, não há autoridade que resista — seguiu.”
Todas essas mensagens foram transmitidas, por sua vez, no dia seguinte a uma reunião que o ministro teve, na Presidência do STF, com o relator do caso Master, André Mendonça.




