A cúpula do PL encomendou uma pesquisa para medir o impacto político da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre a corrida presidencial de 2026. Segundo relatos feitos ao GLOBO, o levantamento servirá como base para que o partido decida os próximos passos da estratégia eleitoral do senador após o desgaste provocado pelas mensagens, áudios e pela revelação do encontro entre os dois.
Nos bastidores, dirigentes do partido afirmam que a principal preocupação hoje é medir se a crise abriu uma distância considerada “crítica” entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas simulações de segundo turno.
O levantamento foi discutido internamente entre dirigentes como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o coordenador da pré-campanha, Rogério Marinho, e outros integrantes da cúpula da legenda. A expectativa é que o resultado fique pronto em cerca de dez dias.
Interlocutores da direção do PL afirmam que o partido trabalha internamente com uma espécie de “número mágico” para definir a gravidade do cenário: caso a pesquisa indique abertura de cerca de dez pontos de vantagem de Lula sobre Flávio, dirigentes admitem que a discussão sobre a viabilidade da candidatura presidencial do senador inevitavelmente ganhará força dentro da legenda.
A avaliação predominante hoje dentro do partido é que um desgaste menor ainda poderia ser absorvido ao longo da campanha, sobretudo se não houver novos fatos envolvendo Vorcaro nas próximas semanas. Na campanha de Flávio, interlocutores projetam um recuo entre quatro e cinco pontos, considerado administrável.
Já um cenário de deterioração mais acentuada poderia obrigar o PL a recalcular toda a estratégia presidencial para as eleições de outubro e discutir de maneira mais concreta alternativas dentro do próprio bolsonarismo.
Nesse ambiente, o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a circular com mais intensidade entre dirigentes partidários, parlamentares e lideranças evangélicas como eventual substituta de Flávio caso a crise se agrave. Aliados do partido avaliam que Michelle preservaria de maneira mais automática a transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro e teria menos resistência hoje em setores do eleitorado conservador atingidos pelo desgaste do caso Vorcaro.
Reservadamente, porém, integrantes da direção do PL ponderam considerar difícil que Jair Bolsonaro (PL) aceite substituir o filho pela esposa numa disputa presidencial, sobretudo diante da resistência de seus outros filhos, Carlos e Eduardo, com a madrastra.
Na terça-feira, Flávio reuniu deputados e senadores do PL em Brasília para tratar da crise e admitiu pela primeira vez internamente que procurou Vorcaro pessoalmente após a primeira prisão do banqueiro.
Segundo relatos, o senador afirmou aos parlamentares que decidiu ir até São Paulo depois de perceber a gravidade da situação envolvendo Vorcaro e disse que o encontro ocorreu para “encerrar” a relação envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
A explicação, porém, não eliminou o desconforto dentro da bancada. Parlamentares deixaram a reunião ainda inseguros sobre a possibilidade de novos vazamentos ou revelações envolvendo a relação entre os dois.
A avaliação de integrantes da legenda é que os próximos dias serão decisivos para medir se o episódio ficará restrito a um desgaste momentâneo ou se começará a comprometer de forma mais permanente a viabilidade eleitoral do senador.



