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Política Quarta-feira, 11 de Março de 2026, 12:48 - A | A

Quarta-feira, 11 de Março de 2026, 12h:48 - A | A

O feminismo está fadado a desaparecer se os feministas não tiverem mais filhos?

Economista Robin Hanson sugere que famílias com ideologias extremas podem dominar a sociedade devido a taxas de natalidade mais altas, desafiando o futuro do feminismo

Da Redação

Ana Paula Padrão gravou um vídeo que teve 30 mil likes no Instagram. Nele, afirma que “o futuro é feminino”. O comentário foi feito em referência ao aumento de feminicídios, interpretado por ela como uma reação de homens à maior independência feminina.

Como exemplo, ela cita o fato de muitas mulheres estarem escolhendo ter menos filhos. Segundo Ana, as mulheres continuarão se emancipando e a violência masculina não será capaz de impedir esse processo. “O futuro é feminino”, repete.

Eu gostaria de concordar com Ana. Mas tenho lido o economista Robin Hanson, que apresenta uma tese inquietante. Em resumo, ele argumenta que o futuro pode não ser feminino. Sim, esta é uma coluna publicada na Semana da Mulher.

Hanson não é apenas mais um economista preocupado com a queda na natalidade por causa de impactos na previdência, no PIB ou em outros indicadores econômicos. A preocupação dele é diferente.

Segundo o pesquisador, a decisão de ter menos filhos não é universal. Ela ocorre principalmente em famílias mais tolerantes, muitas vezes formadas por pessoas com maior nível de escolaridade. Enquanto isso, famílias mais ligadas a dogmas religiosos continuam tendo mais filhos.

Assim, enquanto famílias mais liberais têm dois, um ou nenhum filho, famílias mais dogmáticas continuam tendo cinco, seis ou sete. Com o passar das gerações, as primeiras terão poucos netos, enquanto as segundas terão muitos. Ao longo do tempo, isso poderia levar a uma sociedade cada vez mais dominada por grupos ideologicamente mais rígidos.

Nesse cenário, Hanson argumenta que a cultura liberal ocidental poderia enfraquecer quase por um processo de seleção natural. O mundo tenderia a se tornar mais influenciado por visões religiosas conservadoras.

Um exemplo frequentemente citado é o crescimento do eleitorado haredi em Israel, base importante do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. No Brasil, alguns analistas apontam para o crescimento político de correntes neoconservadoras.

Nesse raciocínio, o feminismo também enfrentaria um desafio demográfico. Famílias que defendem valores feministas tenderiam a ter menos filhos do que famílias mais tradicionais ou conservadoras, o que, ao longo do tempo, poderia reduzir o peso dessas ideias na sociedade.

A questão levantada por Hanson é direta: como preservar uma cultura liberal se as famílias que a defendem têm menos filhos? Como incentivar que pessoas com essas visões tenham mais filhos?

O problema é que nenhum país conseguiu, até agora, reverter de forma consistente as tendências de queda na natalidade. Um estudo recente da Associação Americana de Economia reforça essa dificuldade.

Nos Estados Unidos, surgiram iniciativas como as chamadas “contas Trump” para bebês e incentivos à fertilização in vitro. Outros países discutem políticas como creches públicas, isenção de impostos, licenças parentais ampliadas e transferências de renda para famílias.

A questão que surge é provocativa: o futuro do feminismo dependeria de feministas terem mais filhos?

Para Hanson, talvez a resposta não esteja apenas na economia, mas também na cultura. Ele sugere que poderia haver menos confronto com grupos de alta natalidade que não sejam extremistas.

A provocação final é direta: será que será necessário construir uma relação mais conciliadora com modelos mais tradicionais de família?

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