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Política Sexta-feira, 17 de Julho de 2026, 08:38 - A | A

Sexta-feira, 17 de Julho de 2026, 08h:38 - A | A

Pedido de mais remanejamento expõe fragilidade do planejamento da gestão Flávia Moretti

Prefeitura pede ampliação do remanejamento meses após aprovar o próprio orçamento, e proposta levanta questionamentos sobre planejamento financeiro.

Da Redação

A decisão da Prefeitura de Várzea Grande de solicitar à Câmara Municipal a ampliação do limite para remanejamento orçamentário abriu um novo capítulo nas críticas à condução financeira da administração da prefeita Flávia Moretti.

A gestão argumenta que a medida é necessária para garantir a execução de emendas parlamentares destinadas à Saúde e assegurar o aporte financeiro ao Previvag, afirmando que o limite de 5% aprovado na Lei Orçamentária Anual está praticamente esgotado.

No entanto, o pedido também evidencia uma contradição política: o orçamento foi elaborado pela própria equipe econômica da Prefeitura e encaminhado ao Legislativo com um limite considerado suficiente para atender às demandas do exercício. Menos de um ano depois, a administração sustenta que esse percentual já não comporta as necessidades do município.

Para especialistas em orçamento público, o remanejamento é um instrumento legal e comum na administração pública. Entretanto, quando utilizado de forma recorrente ou quando há necessidade de ampliar significativamente os limites originalmente previstos, ele pode indicar falhas de planejamento ou mudanças relevantes no cenário fiscal.

A situação ganhou contornos políticos porque, durante a votação da Lei Orçamentária, a Câmara reduziu de 10% para 5% o percentual inicialmente solicitado pelo Executivo justamente para fortalecer o controle sobre a movimentação dos recursos públicos. Na ocasião, vereadores defenderam que o limite menor garantiria maior fiscalização sobre a execução do orçamento.

Agora, a Prefeitura busca recuperar parte dessa autonomia, alegando que a ampliação permitirá utilizar recursos destinados à Saúde e cumprir obrigações previdenciárias do município.

Para parlamentares da oposição, contudo, o novo pedido representa mais do que uma adequação técnica. Na avaliação dos críticos, a necessidade de ampliar a margem de remanejamento poucos meses após a aprovação da LOA demonstra que o planejamento financeiro da atual gestão não conseguiu prever adequadamente as demandas da administração.

Os vereadores também argumentam que conceder maior liberdade para transferir recursos entre secretarias reduz o controle político do Legislativo sobre a execução orçamentária e pode facilitar a correção de desequilíbrios criados pela própria condução administrativa.

O debate ocorre em meio a outros embates institucionais entre Executivo e Legislativo envolvendo a execução do orçamento municipal, incluindo divergências sobre procedimentos de suplementação e decretos orçamentários.

A votação da proposta deverá servir como um novo teste da relação entre a prefeita Flávia Moretti e a Câmara Municipal. Enquanto a base governista sustenta que a medida é indispensável para manter os serviços públicos e executar investimentos, a oposição afirma que o pedido expõe a dificuldade da administração em executar o orçamento que ela própria elaborou.

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