A Polícia Civil de Mato Grosso indiciou o secretário-adjunto Leomindo de Arruda Maciel Júnior, conhecido como “Júnior Cuiabano”, pelo crime de importunação sexual. A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, e o relatório final foi assinado pela delegada Vanessa Aguiar da Cunha Garcez no dia 14 deste mês.
Em nota, a Casa Civil informou que o secretário não é mais servidor do estado e que a exoneração será publicada em edição extra do Diário Oficial.
Segundo o documento, uma das vítimas informou que começou a trabalhar na Casa Civil em setembro de 2025. Segundo o relato, o primeiro episódio de assédio ocorreu em dezembro do mesmo ano, durante um evento, quando o suspeito declarou interesse e ofereceu benefícios financeiros. A vítima afirmou que ele sugeria repassar “gordurinha de contrato” caso os dois mantivessem um relacionamento.
De acordo com o depoimento, nos meses seguintes, o suspeito passou a enviar mensagens pessoais, fazer comentários sobre a aparência da vítima e abordar temas íntimos, o que a deixou constrangida. Em um dos episódios, durante um evento, ele teria colocado um fone de ouvido na bolsa dela como presente. O objeto foi devolvido ao superintendente do cerimonial.
Após devolver o presente, a vítima afirmou à polícia que sofreu represálias. Segundo ela, houve aumento de trabalho e, depois, exclusão de escalas em novos eventos. Ela também relatou que o secretário sugeria a terceiros que os dois tinham um relacionamento, o que nunca ocorreu.
Aos policiais, a vítima disse ainda que recebia mensagens fora do horário de trabalho e que registrou prints das conversas por medo. Ela afirmou que procurou ajuda de colegas e superiores, mas não teve apoio para levar o caso adiante.
A vítima também relatou que ouviu de terceiros que poderia ser demitida. Diante da situação, procurou a polícia e solicitou uma medida protetiva contra o secretário.
"Tenho pesadelos , faço acompanhamento psicológico pra tentar entender o porquê. [...] Como mulher cheguei a me sentir responsável pelas atitudes dele, mas não posso me responsabilizar pelo caráter assediador do outro. Não quero que nenhuma mulher passe pelo que passei e estou passando. Sou mãe, sou esposa, sou filha, sou sobrinha e sou tia e espero que se faça justiça por mim e por todas as outras que passaram pelo mesmo para que isso não volte a acontecer. [...] Espero que os envolvidos paguem e que a voz das assediadas não sejam caladas por cargos de poder", relatou a vítima.
O documento foi encaminhado à Justiça. O caso tramita sob sigilo no Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, em Cuiabá.



