A três rodadas do fim e com campeão - o PSV - já definido, o Campeonato Holandês pode sofrer um grande abalo pelo fato de vários atletas que estarem atuando sem visto de trabalho. O problema tem a ver com holandeses que se naturalizaram para atuarem por outras seleções.
Sob a ótica da lei holandesa, quando um atleta nascido no país se naturaliza ele automaticamente abdica do passaporte local. Com isso, ao fazer a mudança, o profissional em questão deveria dar entrada em um visto de trabalho.
O escândalo "Paspoortgate" veio à tona após o NAC Breda entrar com ação na Justiça após ser goleado por 6 a 0 pelo Go Ahead Eagles. Ameaçadíssimo de rebaixamento e com cinco a pontos a menos do que o 16º colocado - que tem direito a disputar playoff contra a degola -, o NAC acusou o Go Ahead de escalar de forma irregular Dean James, nascido na Holanda e naturalizado indonésio.
- Não se trata de sentimentos, é uma regra simples. Trata-se de escalar um jogador inelegível - disse o advogado da NAC na audiência preliminar, que ocorreu na terça-feira.
Este não é um caso isolado. A emissora 'NOS' revela que outros 13 jogadores da Eredivisie, que optaram por representar o Suriname , a Indonésia, Cabo Verde, o Togo e Trinidad e Tobago, também teriam perdido seus vistos de trabalho.
O NEC e o Groningen se anteciparam e excluíram dois holandeses que não têm mais o passaporte europeu de seus respectivos elencos e treinos.
- Ao jogarem por esses países, eles perdem a cidadania holandesa. E quem tem passaporte de fora da União Europeia ou da Suíça precisa de uma autorização de trabalho para trabalhar na Holanda - afirmou Joost Verlaan, especialista em direito desportivo, à NOS.
Ajax, Feyenood,Telstar, FC Volendam, Heracles e TOP Oss se juntaram à ação do NAC Breda.
- A questão dos passaportes afeta 11 jogadores da Eredivisie, distribuídos por oito clubes. No total, envolve 133 jogos da Eredivisie (liga holandesa) - alerta Michiel van Dijk, advogado da Federação.
Marianne van Leeuwen, presidente da Real Federação Holandesa de Futebol (KNVB), não mediu palavras e afirmou que a eventual remarcação das partidas "será um caos".
- A liga sofreria um duro golpe em sua imagem . As partidas deveriam ser disputadas em campo, não nos tribunais. Isso afeta mais da metade das partidas da Eredivisie e quase todos os clubes. Será um caos.



