Cuiabá, 02 de Fevereiro de 2026
  
DÓLAR: R$
Cuiabá, 02 de Fevereiro de 2026
  
DÓLAR: R$
Logomarca
facebook instagram twitter whatsapp

Política Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2026, 15:58 - A | A

Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2026, 15h:58 - A | A

Gasto com juro ultrapassa a marca escandalosa de R$ 1 trilhão em 2025

Banqueiros e rentistas fizeram a festa e continuam a pressionar o governo por cortes nos investimentos produtivos e desvio de dinheiro público em programas sociais para juro

Da Redação

A taxa básica de juros (Selic) de 15%, mantida pelo Banco Central (BC), garantiu a banqueiros e rentistas a soma de R$ 1,007,6 trilhão (um trilhão, sete bilhões e seiscentos milhões de reais) ao longo de 2025. Esse valor corresponde exclusivamente às despesas com o pagamento de juros da dívida pública. Os dados constam no relatório de Estatísticas Fiscais do BC, divulgado na sexta-feira (30/01).

Nos 12 meses de 2024, esse gasto do setor público — que engloba União, estados, municípios e estatais — foi de R$ 950,4 bilhões (novecentos e cinquenta bilhões e quatrocentos milhões de reais). Apenas em dezembro de 2025, a despesa com a especulação financeira alcançou R$ 121,8 bilhões, valor superior ao registrado no mesmo mês de 2024 (R$ 96,1 bilhões).

Reprodução BCB

cenario

 

São recursos públicos drenados da saúde, da educação, da previdência, da assistência social e da segurança pública para enriquecer meia dúzia de bancos e demais rentistas.

Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% até a próxima reunião, prevista para março deste ano. Há seis meses, a taxa básica de juros permanece nesse patamar — o mais elevado dos últimos 20 anos. Descontada a inflação, o juro real está próximo de 11% ao ano, o segundo maior do planeta.

A decisão do BC de postergar o início do corte da Selic atende diretamente aos interesses dos banqueiros, que, ao mesmo tempo em que exigem mais gastos financeiros, defendem a manutenção do arrocho fiscal. Isso significa restrições aos investimentos públicos e deterioração dos serviços oferecidos à população, sob o argumento falacioso da falta de credibilidade fiscal. Na realidade, são os juros elevados que impulsionam o crescimento da dívida pública.

Em 2025, a dívida bruta do Brasil atingiu R$ 10 trilhões, o equivalente a 78,7% do PIB, representando um crescimento de 2,4 pontos percentuais do PIB em relação a 2024. Segundo o próprio Banco Central, “essa evolução refletiu, principalmente, os impactos da incorporação de juros nominais (+8,9 p.p.)”, conforme registrado no relatório de Estatísticas Fiscais.

Apesar de o Brasil possuir uma dívida interna relativamente baixa quando comparada a outras economias do mundo, o crescimento das despesas primárias, dos investimentos públicos e até mesmo a valorização do salário mínimo foi amarrado ao teto de gastos de 2,5% ao ano, em termos reais, estabelecido pela lei do arcabouço fiscal. Esse teto também limita o crescimento das despesas a 70% do aumento da arrecadação. Em outras palavras, caso as receitas não cresçam, impõem-se cortes orçamentários.

Essa lógica, no entanto, não se aplica às despesas com juros, que permanecem livres de qualquer controle. Entre 2024 e 2025, esses gastos cresceram mais de 6%, o que corresponde a R$ 57,2 bilhões em termos absolutos.

A economia brasileira, que registrou crescimento de 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024, sofreu desaceleração no ano passado, impactada diretamente pelos juros elevados. O próprio governo projeta uma redução do crescimento do PIB para 2,2% em 2025, segundo o Ministério da Fazenda.

Já as previsões do chamado “mercado” são ainda mais pessimistas: estimam crescimento do PIB em torno de 2,1% em 2025 e de apenas 1,6% em 2026.

Comente esta notícia

Canais de atendimento

Informações e Comercial
contato@agendamt.com.br
Telefones de Contato
+55 (65) 992024521
Endereço
Rua Professora Enildes Silva Ferreira, 8 QD 3 sala B - CPA III, Cuiabá/MT 78000-000
Expediente
Jornalista: Adalberto Ferreira
MTE 1.128/MT