Trabalhar como motorista de Uber não é luxo nem comodidade: é, sobretudo, uma forma de gerar renda diante da falta de opções de trabalho, da instabilidade econômica e do aumento do custo de vida. É o que aponta um estudo realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que ouviu mais de 13 mil motoristas.
A pesquisa entrevistou profissionais que atuam no aplicativo de transporte em oito países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, República Dominicana e México.
Ganhos de cerca de R$ 6 mil por mês
A plataforma também é amplamente utilizada como fonte de renda extra para complementar o orçamento doméstico. No entanto, o estudo estima que o ganho médio seja de cerca de US$ 7 por hora (aproximadamente R$ 35 na conversão direta), com variações entre os países.
Com esse rendimento, em uma jornada de 44 horas semanais, o motorista teria pouco mais de R$ 6 mil brutos por mês. Esse valor, porém, precisa cobrir despesas como combustível, manutenção do veículo e outras necessidades básicas.
Segundo o estudo, muitos motoristas recorrem à plataforma em períodos de recessão econômica, desemprego ou crises pessoais.
“Isso faz com que o trabalho em plataformas funcione menos como uma carreira e mais como um amortecedor diante dos choques econômicos e necessidades de curto prazo”, afirma o levantamento.
Flexibilidade é o principal atrativo
Outro dado relevante da pesquisa é que quase 50% dos motoristas afirmam que não trocariam o trabalho nas plataformas por um emprego assalariado, mesmo que a renda fosse equivalente.
Para muitos profissionais, a possibilidade de decidir quando e quanto trabalhar é uma das principais vantagens da atividade. A flexibilidade aparece como o elemento mais valorizado. A maioria dos motoristas atua em tempo parcial, geralmente entre 10 e 30 horas semanais.
No Brasil, essas e outras questões são discutidas em um Projeto de Lei que busca regulamentar a atividade, incluindo também os serviços de entrega. A proposta pretende criar na legislação a figura do “trabalhador plataformizado”, formalizando a atuação de motoristas e entregadores, mas sem estabelecer vínculo empregatício com as empresas.




