Rússia e Ucrânia trocaram acusações e denunciaram ataques do lado inimigo nesta sexta-feira (8), o primeiro dia de um cessar-fogo de três dias decretado por Moscou.
Em teoria, cessar-fogo temporário entre os dois países começou nesta sexta (8) e vai até domingo (10) devido às comemorações que o governo russo fará neste sábado (9) pelo Dia da Vitória, que marca anualmente o fim da Segunda Guerra Mundial com um grande desfile militar na Praça Vermelha.
Na rede social X, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, informou que a Força Aérea da Ucrânia derrubou 56 drones russos perto da linha de batalha nas últimas horas e que a Rússia lançou "mais de 850 ataques com drones de diversos tipos", além de mais de 140 ataques contra as posições de primeira linha de Kiev.
"Por parte da Rússia, não houve sequer uma tentativa simbólica de cessar os ataques no front. Assim como fizemos nas últimas 24 horas, a Ucrânia responderá da mesma maneira também hoje. Os russos "querem que a Ucrânia lhes dê permissão para organizar seu desfile, para poder sair com total segurança à praça [Vermelha] durante uma hora, uma vez por ano, e depois seguir matando", afirmou Zelensky.
A Rússia, por sua vez, afirmou que respondeu "de maneira simétrica às violações" de sua trégua por parte da Ucrânia.
O Ministério da Defesa russo anunciou que derrubou 264 drones ucranianos durante a noite, nas primeiras horas do cessar-fogo unilateral de dois dias decretado pelo Kremlin.
A Ucrânia já havia denunciado a trégua temporária da Rússia como uma medida de propaganda, já que o desfile é um dos acontecimentos patrióticos mais importantes para o presidente russo, Vladimir Putin.
Horas antes do início da trégua russa, Zelensky disse que falou para os aliados de Moscou que eles não deveriam comparecer ao desfile militar, mas que recebeu "mensagens de alguns Estados próximos à Rússia, que afirmam que seus representantes estarão presentes em Moscou".
"Um estranho desejo [...] nestes tempos. Não recomendamos", afirmou em discurso na noite desta quinta-feira (7).
Comparecerão dirigentes de Belarus, Malásia e Laos, além dos líderes de duas repúblicas separatistas da Geórgia respaldadas pela Rússia e não reconhecidas pela ONU - Abkhazia e Ossétia do Sul -, segundo o Kremlin.
O prefeito de Moscou anunciou nesta sexta-feira que quase 20 drones foram derrubados desde a entrada em vigor, à meia-noite local, da trégua com a Ucrânia que a Rússia declarou unilateralmente.
A Rússia pediu à população e aos diplomatas que abandonassem Kiev diante de possíveis ataques de "retaliação" caso a Ucrânia perturbasse as cerimônias comemorativas de 9 de maio.
Nas últimas semanas, Kiev, que ampliou suas capacidades com drones, intensificou os ataques contra Moscou e no interior da Rússia, atingindo alvos a centenas de quilômetros da Ucrânia.




