A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou que não pretende recorrer à Justiça contra adversários políticos que levantaram suspeitas sobre o incêndio que destruiu o Anexo I da Secretaria Municipal de Educação. A decisão foi anunciada após a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluir que o fogo teve origem acidental, provocado por um curto-circuito na câmara fria utilizada para armazenar a merenda escolar.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (29), Moretti afirmou que sempre defendeu cautela na apuração dos fatos e considerou que as acusações feitas durante a crise fazem parte do cenário político.
"Acho que a perícia fez a parte dela. Logo a gente vai ter acesso ao laudo, mas eu fico tranquila. Desde o começo eu falei: 'gente, não vamos atribuir nada a ninguém'. Isso não é natural, mas é um fato que pode acontecer, constatado pela polícia. Mas judicializar, não. Acusações, coisas da política acontecem. Querem acusar quem tem mais palco que o outro", declarou.
As declarações da prefeita ocorrem após o vereador Wender Madureira (Republicanos) sugerir, nos primeiros momentos após o incêndio, a possibilidade de uma suposta "queima de arquivo". O parlamentar levantou a hipótese de que o incêndio poderia ter sido provocado para esconder possíveis irregularidades na gestão, entre elas o armazenamento de uniformes escolares e livros, materiais que haviam sido alvo de fiscalização dias antes.
No entanto, a investigação da Politec descartou qualquer indício de ação criminosa. Conforme os peritos, o incêndio começou em decorrência de uma falha elétrica nos cabos da câmara fria e se propagou rapidamente devido à grande quantidade de materiais inflamáveis armazenados no prédio, como documentos e papéis, além da presença de veículos estacionados nas proximidades.
Prejuízo milionário
O incêndio destruiu equipamentos, mobiliário e insumos considerados essenciais para o funcionamento da rede municipal de ensino, provocando um prejuízo ainda não totalmente contabilizado pela administração. Diante dos danos, a Prefeitura de Várzea Grande decretou situação de calamidade administrativa por 180 dias.
Agora, com a causa do incêndio oficialmente esclarecida, a gestão concentra esforços na recuperação da estrutura e na reposição dos materiais perdidos para garantir o início do segundo semestre letivo sem prejuízos aos estudantes.
Um comitê especial foi criado para realizar, em até 45 dias, uma auditoria dos materiais que resistiram ao incêndio, além de organizar novos processos de licitação e aquisição de equipamentos e insumos.
Segundo a prefeita, ainda não há uma estimativa definitiva do prejuízo financeiro, já que o município realiza um levantamento detalhado dos bens destruídos e dos materiais já distribuídos às unidades escolares.
"A gente está correndo atrás do prejuízo. Nós estamos fazendo uma força-tarefa na educação para o levantamento de tudo e para pedir recursos. Não temos o valor exato estimado, porque temos que cruzar todas as entradas e saídas que foram para as escolas. É um detalhamento minucioso. Claro que o material do segundo semestre estava lá e realmente foi perdido, mas nós já estamos buscando alternativas para atender as crianças", concluiu Moretti.



