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Política Quarta-feira, 04 de Março de 2026, 09:57 - A | A

Quarta-feira, 04 de Março de 2026, 09h:57 - A | A

PF revela mensagens que expõem pagamentos e intimidação no Master

Diálogos citam repasses mensais milionários, uso de empresa de fachada e ameaças a funcionários e jornalistas.

Da Redação

Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam detalhes da estrutura financeira e do funcionamento interno do esquema atribuído ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo as investigações, o banqueiro coordenava pagamentos mensais que chegavam a R$ 1 milhão, distribuídos entre integrantes da organização.

Os diálogos constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero. A medida resultou na prisão de Vorcaro, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em Minas Gerais e São Paulo e no sequestro de ativos que podem alcançar R$ 22 bilhões.

De acordo com a apuração, os repasses eram intermediados pelo cunhado do empresário, Fabiano Zettel. Em uma das mensagens transcritas, Vorcaro cobra explicações sobre o atraso nos pagamentos.

“Bom dia. O Fabiano não mandou este mês e a turma está perguntando. Dá uma olhada com ele por favor. Obrigado.”

A resposta detalha a divisão dos valores entre seis integrantes e bônus extras. O fluxo financeiro e os comprovantes seriam organizados por meio da empresa King Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda., apontada como instrumento para mascarar a origem dos recursos.

As conversas também indicam um ambiente de intimidação interna. Mourão, identificado como coordenador de atividades do grupo, teria se colocado à disposição para utilizar integrantes denominados “A Turma” para pressionar funcionários considerados problemáticos.

Em outra mensagem, Vorcaro afirma:

“O bom é dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar.”

Há ainda registros de ordens envolvendo uma funcionária doméstica.

“Empregada me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.”

Na sequência, questionado sobre o que deveria ser feito, a resposta foi:

“Puxa endereço tudo.”

Segundo a investigação, a atuação do grupo não se limitava a funcionários. As mensagens apontam que jornalistas que publicassem conteúdos críticos ao banco também seriam monitorados. Conversas mencionam a necessidade de acompanhar links negativos e atuar para derrubar conteúdos considerados desfavoráveis.

A Polícia Federal segue analisando o material apreendido, e novos desdobramentos da operação não estão descartados.

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