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Política Segunda-feira, 16 de Março de 2026, 05:00 - A | A

Segunda-feira, 16 de Março de 2026, 05h:00 - A | A

Polícia fecha centro de treinamento do CV para adolescentes em MT

Investigação aponta que facção treinava integrantes em técnicas de tiro, guerrilha e sobrevivência na mata

Da Redação

Um centro clandestino de treinamento armado mantido por integrantes do Comando Vermelho dentro de uma área indígena em Mato Grosso foi fechado pela Polícia Civil na última sexta-feira (13/3), após uma investigação que durou cerca de dez meses.

Segundo a investigação, o local era utilizado para preparar adolescentes e jovens membros da facção em técnicas de combate, sobrevivência na selva e manuseio de armamento pesado, em meio à disputa com o PCC (Primeiro Comando da Capital) pelo controle de rotas do tráfico na região de fronteira entre Brasil e Bolívia.

O delegado Fábio Nahas, responsável pela investigação, afirma que até o momento não há indícios de que os moradores da aldeia participassem das atividades criminosas. A suspeita é que integrantes da facção tenham coagido a comunidade a tolerar o uso da ilha para os treinamentos armados.

Treinamentos realizados em ilha

As atividades aconteciam em uma área alagada e de difícil acesso próxima ao rio São Lourenço, dentro da Terra Indígena Tereza Cristina, pertencente ao município de Santo Antônio de Leverger (a 35 km de Cuiabá). As investigações apontam que os participantes eram levados até uma ilha por Rondonópolis (a 218 km da capital), onde realizavam exercícios com disparos reais de armas de fogo.

"Entrando por Rondonópolis é mais fácil. Por ser uma região com 80% do local alagado, somente com barco", explica o delegado regional Santiago Rozendo Sanches.

A estrutura foi descoberta durante a Operação Argos, conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis. A apuração começou após denúncias relacionadas ao tráfico de drogas na área indígena utilizando o rio São Lourenço e levou os policiais a identificar um esquema que incluía transporte de entorpecentes por vias fluviais e distribuição para diferentes cidades do estado e país.

Aulas de tiros com armas de uso restrito às forças de segurança

O delegado Nahas disse que os participantes passavam primeiro por um treinamento chamado de "tiro a seco", etapa em que aprendiam a montar e desmontar armas e a se posicionar corretamente para disparos, sem utilização de munição.

Em seguida, eram levados até uma ilha localizada no rio São Lourenço, onde realizavam exercícios com munição real. "Eles faziam um treinamento completo de instrução de tiro, montagem e desmontagem de armamentos, além de técnicas de sobrevivência na selva. Era um curso estruturado, com etapas semelhantes às utilizadas em treinamentos de forças de segurança", afirmou o delegado.

Conforme os investigadores, durante as aulas eram utilizadas armas de uso restrito, incluindo fuzis calibres .556 e .762, pistolas .40 e 9 mm, além de metralhadoras e até um armamento de calibre .30 montado em tripé.

Estratégia para se esconder na mata

A polícia também apurou que os integrantes do grupo aprendiam estratégias para se esconder na mata após possíveis confrontos com rivais ou forças policiais. O objetivo seria garantir que conseguissem permanecer ocultos por longos períodos em caso de fuga.

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