Há um mês, reportagem do Paladar perguntou o que aconteceria nos bares e restaurantes quando “o Mounjaro” sentasse à mesa. As respostas vieram agora, após a entidade do setor realizar um levantamento com 1.417 estabelecimentos: 61% dos bares e restaurantes já identificam mudanças no consumo causadas pelos remédios voltados ao emagrecimento.
“A mudança já é percebida, mas ainda ocorre de forma gradual. O consumidor continua frequentando bares e restaurantes, porém com escolhas mais moderadas. Esse movimento tende a ganhar força nos próximos meses, especialmente após a produção de versões genéricas e similares mais acessíveis dos medicamentos dessa classe terapêutica”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.
Do total de entrevistados, 56% perceberam mudanças no volume de pedidos dos pratos principais. Segundo o levantamento, 64% observaram crescimento nos pedidos de miniporções - os chamados Menu Mounjaro.
O levantamento da Abrasel confirma tendências anteriormente previstas, e uma das que mais se consolidou como sequela da popularização do uso dessas drogas foi: a pratica de compartilhar pratos principais. A conduta foi mencionada por 64% dos entrevistados.
Sobre as bebidas, 53% perceberam crescimento de consumo de bebidas não alcóolicas e drinques sem álcool, também confirmando o que os especialistas haviam apontado que iria ocorrer (o consumo de cerveja sem álcool no Brasil, por exemplo, cresceu mais de 25%).
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Nas redes sociais de Paladar, a chef Danielle Dahoui, do Bistro Ruella, trouxe as adaptações que implementou em seu espaço por conta das medicações usadas pelos clientes. “Desde setembro de 2025, fizemos opções de porções menores, com preços menores e sempre tivemos uma carta de drinques sem álcool. Essa é uma mudança que veio para ficar”, comentou.
A pesquisa da Abrasel, por ora, não detectou uma diminuição na frequência em restaurantes e, sim, uma mudança no consumo.
Entre os seguidores de Paladar, após a discussão sobre o efeito das canetas emagrecedoras ser proposta nas redes, as manifestações ficaram entre o apoio aos menus menores, mas também uma preocupação com os preços. “Não uso as canetas, mas fiz bariátrica. Como pouco. As opções de Menu Kids são sempre macarrão e bife, bem restrito. Acho ótimo os pratos principais em versões reduzidas desde que sejam mais baratas”, afirmou a seguidora Ana Tereza.
“Encontrar tamanhos de porção suficientes para as pessoas que querem consumir boas receitas, mas comem pouco, para mim sempre foi um desafio. Defendo mais opções para degustar um prato e evitar desperdício”, complementou Aninha Matos.
Os bares e restaurantes vão continuar sendo acompanhados pela Abrasel e as tendências monitoradas. Uma curiosidade é que já existem alguns ramos da gastronomia que, inclusive, têm registrado aumento do consumo entre os usuários desse tipo de medicação em vez de diminuição.
Trata-se da confeitaria e dos chocolates tipo premium. Paladar ouviu alguns chefs confeiteiros que confirmaram esse comportamento.




