Dois dias depois do presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar em pronunciamento que estava “perto de concluir a guerra” e dizer que o poderio aéreo e naval do Irã foram “dizimados”, Teerã voltou a lançar ataques contra a região e derrubou dois aviões de combate, um deles em seu próprio território. Segundo fontes da inteligência americana, os iranianos mantêm cerca de metade dos lançadores de misseis, além de estoques de armamentos abastecidos, ao contrário do que diz Trump.
Desde o início da guerra, autoridades israelenses e americanas alegam ter debilitado as defesas iranianas e as capacidades de lançar ataques com mísseis e drones. Em briefings à imprensa, o Pentágono apontava para uma queda de 90% nos ataques, e o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou no mês passado que o Irã não era mais capaz de produzir mísseis balísticos, os mesmos que seguem atingindo seu país sem cessar.
Trump, em seu pronunciamento na quarta-feira, declarou que “está prestes a pôr fim à sinistra ameaça do Irã para os Estados Unidos e para o mundo”.
“Estamos desmantelando sistematicamente a capacidade do regime de ameaçar os Estados Unidos ou projetar poder além de suas fronteiras. Sua Força Aérea acabou. Seus mísseis estão praticamente esgotados ou destruído”, disse o presidente Trump.
A fala não poderia ter envelhecido pior. Na quarta-feira (1/4), a rede americana CNN, citando fontes da inteligência, afirmou que cerca de metade dos lançadores de mísseis iranianos estão intactos, embora alguns estejam inacessíveis no momento sob escombros ou em instalações subterrâneas cujas entradas foram bloqueadas. Autoridades militares israelenses estimam um número menor de lançadores operacionais, entre 20% e 25%.
Os arsenais de mísseis e drones, embora sob intenso bombardeio, seguem volumosos, permitindo manter um ritmo de ataques que vem surpreendendo militares e políticos. Segundo o Pentágono, mais de 12,3 mil alvos foram atingidos no Irã desde o dia 28 de fevereiro, e foram registrados violentos bombardeios no país, especialmente em Teerã, nesta sexta-feira (3/4).
“Eles ainda estão muito bem preparados para causar estragos absolutos em toda a região”, disse uma das fontes ouvidas pela CNN.
Um dos entrevistados pela rede americana pôs em xeque o prazo de duas a três semanas para encerrar a guerra, apresentado por Trump no pronunciamento.
“Podemos continuar ferrando com eles, não tenho dúvidas, mas você está louco se acha que isso vai acabar em duas semanas”, declarou, em condição de anonimato.
A Casa Branca preferiu atacar a CNN, alegando que “fontes anônimas desejam desesperadamente atacar o presidente Trump e menosprezar o trabalho incrível das Forças Armadas dos Estados Unidos” e rebatendo as constatações da matéria.
Em outro golpe no discurso de que o Irã está de joelhos, duas aeronaves de combate dos EUA foram abatidas pelas defesas iranianas nesta sexta-feira. Um A-10 Thunderbolt II foi atingido perto do Estreito de Ormuz, fechado por Teerã desde o início do conflito, mas o piloto conseguiu retirar a aeronave do espaço aéreo do Irã antes de se ejetar e ser resgatado. Segundo um representante da Guarda Revolucionária, o avião foi abatido por um "novo e avançado sistema de defesa".
A segunda aeronave, um caça F-15, foi abatido dentro do território iraniano — segundo o Pentágono, um dos tripulantes foi resgatado, em uma operação na qual um helicóptero foi atingido por foguetes, mas não há informações sobre o paradeiro do segundo militar. Teerã está à sua procura, e ofereceu uma recompensa por informações.
“Depois de derrotar o Irã 37 vezes seguidas, esta brilhante guerra sem estratégia que eles começaram agora foi rebaixada de ‘mudança de regime’ para ‘Ei! Alguém consegue encontrar nossos pilotos? Por favor’”, ironizou na rede social X o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. “Uau. Que progresso incrível. Gênios absolutos.”




