O pré-candidato a presidente da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), gravou um vídeo onde faz um ataque direto contra o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), pré-candidato a governador. Ao lado do senador Wellington Fagundes (PL), também pré-candidato ao governo, Flávio Bolsonaro diz que “Mato Grosso não pode ser governado por quem bate em mulher”, uma alusão ao episódio de violência doméstica que envolve a figura de Pivetta. “Homem que bate em mulher vai aposentar ou vai ser preso”, diz Flávio em vídeo.
Atualmente, o caso, citado no vídeo pelo pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro, é frequentemente mencionado em contextos políticos. O vice-governador chegou a processar adversários por “ressuscitar” o assunto, alegando que sua honra teria sido restaurada pelas decisões judiciais de arquivamento.
Violência doméstica: tentativa de transformar em um não-assunto
Pivetta escolheu, no seu caso pessoal, a via jurídica para barrar a pauta política da violência doméstica. Ele acredita que o caso particular de violência doméstica possa ser jogado no Buraco da Memória, tornando-se um “Não-Assunto” nesta eleição. Mas em termos gerais, será impossível barrar um tema de interesse público de importância como a violência doméstica em um estado campeão de feminicídios. Mato Grosso deve respeito às mulheres mortas e vivas.
Caso arquivado, na justiça
O caso de violência doméstica envolvendo o vice-governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, e então sua esposa, a advogada Viviane Kawamoto, ocorreu em julho de 2021 e teve grande repercussão nacional.
Local e Prisão: O episódio aconteceu em um apartamento em Itapema, Santa Catarina. A Polícia Militar foi acionada e Pivetta foi preso em flagrante por suspeita de agressão. Ele foi liberado após o pagamento de uma fiança de R$ 6,6 mil.
Relato da Vítima: Inicialmente, Viviane afirmou que Pivetta teria batido a cabeça dela várias vezes contra um sofá. Um laudo do Corpo de Bombeiros na época indicou escoriações e hematomas no rosto, braços, lábios e coxas.
Defesa de Pivetta: O vice-governador negou as agressões, alegando que apenas se defendeu de uma crise de fúria da esposa, que teria aparecido no local sem aviso prévio. Ele apresentou escoriações no pescoço e tórax como prova de defesa.
Mudança de Versão: No caminho para a delegacia e em momentos posteriores, Viviane chegou a recuar, afirmando que teria sido apenas uma “discussão de casal” e que não houve agressão. No entanto, em agosto de 2021, ela concedeu uma entrevista ao programa Fantástico (Rede Globo) reafirmando as agressões e relatando violência psicológica.
O caso foi arquivado tanto em Santa Catarina quanto em Mato Grosso:
Arquivamento em SC (Fevereiro de 2022): A Justiça de Santa Catarina acolheu o pedido do Ministério Público para arquivar o processo. O promotor argumentou que as provas eram insuficientes e que a vítima apresentou pelo menos três versões diferentes dos fatos, o que gerou dúvida sobre quem teria iniciado as agressões.
Arquivamento em MT (Novembro de 2021): Em Cuiabá, um inquérito que apurava crimes de ameaça, perseguição e violência psicológica também foi arquivado pela Justiça por falta de elementos concretos que configurassem crime.




