No dia 16 de junho, Ivan Lins completou 80 anos. O músico, autor de sucessos como “Madalena”, “Lembra de Mim” e “Começar de Novo”, relembrou sua carreira no Conversa com Bial, desta sexta-feira (29/08).
A chegada dos 80 vem sendo comemorada com a turnê “Ivan Lins 80”, o lançamento de uma biografia, um documentário e um disco com as participações de nome como Ferrugem, Zeca Pagodinho, Diogo Nogueira, Xande de Pilares e Mart'nália.
O dom da música veio de berço, mas, no começo, sua opção pela carreira artística não agradou ao pai, que era militar e sonhava em vê-lo engenheiro químico. Após ouvir as músicas do filho, o patriarca mudou de opinião e virou um de seus maiores fãs.
Por conta da educação rígida, Lins contou a Bial que o pai o aconselhava a não se envolver com a política. No entanto, a leitura sobre o que acontecia no Brasil na década de 60/70, revoltou o artista:
“Quando você começa a ler mais, a conhecer mais, a entrar mais dentro do problema, você começa a se indignar. Você começa a descobrir as questões das condutas militares, de violência, tortura, etc. E aí foi como começou a acontecer comigo. Eu tinha uma certa alienação proposital, de recomendação paterna. Comecei a me desalienar. Comecei a ler os jornaizinhos alternativos. A gente lia 'Pasquim', tinha que ter alguma opinião. Tinham vários que tinham uma alternativa. E aí eu fui começando a ficar um animal. Tive uma crise pessoal muito forte. Tive que fazer terapia. Fiquei de um jeito tal que era insuportável até em casa. Caramba! Tocava, tocava, tocava. Tocava com raiva (o piano).”
Em outro momento do papo, Ivan lembrou quando ouviu pela primeira vez “Madalena” na voz da cantora norte-americana, Ella Fitzgerald:
"Estava lá dirigindo o meu Karmann-Ghia na Lagoa, aí entra o Big Boy, na Rádio Mundial: ‘Ei, pessoas loucas! Chegando de Nova Iorque, com uma surpresa sensacional! Ella Fitzgerald cantando Madalena!’ E botou a gravação. Cara, eu fechei os vidros do Karmann-Ghia, taquei o rádio a toda altura, parei o carro na rua. Fiquei lá ouvindo os caras buzinando lá atrás, porque eu botei tão alto que eu nem ouvia.”
Michael Jackson também quis “Novo Tempo” em seu álbum "Thriller", produzido por Quincy Jones e considerado o de maior sucesso em todos os tempos.
Mas a negociação entre Ivan e os produtores de Jackson não chegaram a um consenso a tempo: “Os americanos sempre foram assim. Eles já chegam como se eles fossem donos de você. Eles se sentem assim, ‘eu sou mais poderoso que você, então eu posso’. Como terra rara, eles estavam querendo. É igual. E aí o advogado dele, o primeiro contrato que ele mandou, mandou aquele primeiro padrão para ver se cola. Se colar, colou. Aí a gente falou: 'Isso aqui a gente não assina de jeito nenhum’. Bom, aí tivemos que chamar um advogado para negociar com o cara. O advogado do Quincy Jones era um monstro. Tivemos que chamar um monstro. E aí ele foi brigar. Levaram oito meses para chegar a um acordo. Aí eu perdi a gravação. Chegou tarde demais.”