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Política Quinta-feira, 26 de Março de 2026, 15:27 - A | A

Quinta-feira, 26 de Março de 2026, 15h:27 - A | A

Endividamento das famílias acende alerta no governo e bancos

Ideia de limitar juros do rotativo enfrenta resistência e pode ter efeito contrário no crédito

Da Redação

A preocupação demonstrada pelo governo com o nível de endividamento da população não se restringe ao Planalto. As instituições financeiras também estão atentas ao efeito negativo que a conjuntura econômica atual pode provocar no mercado de crédito — mais especificamente, sobre o nível de inadimplência das famílias. E avaliam que o momento pode exigir um esforço de renegociação de dívidas junto aos clientes mais endividados, algo semelhante ao que foi feito em 2023.

O ponto central da preocupação hoje é que o comprometimento da renda das famílias alcançou 29%, nível historicamente elevado. Esse número, por si só, não é necessariamente um problema. A questão é que há uma concentração do endividamento nas linhas mais caras, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. Diante disso, a cúpula do Executivo começou a discutir medidas que poderiam ser adotadas para amenizar essa situação.

Uma das hipóteses levantadas foi a criação de um limite para os juros cobrados no crédito rotativo do cartão. Mas, ideia não encontrou apoio majoritário entre os participantes desse encontro, nem mesmo do presidente Lula. Afinal, já se tentou, em outros momentos, adotar esse tipo de medida — e ficou claro que o efeito tende a ser negativo. Primeiro, porque não ajuda quem já está endividado: quem entrou no rotativo já arcou com as taxas mais elevadas.

Além disso, a medida poderia provocar uma redução relevante na oferta de cartões de crédito e de outras linhas. E, quando a oferta diminui, o crédito disponível tende a ficar mais caro. Assim, se a preocupação do governo, em um ano eleitoral, passa pelo receio de que esse quadro de endividamento gere uma percepção negativa sobre o momento econômico, contribuir para restringir o acesso ao crédito não parece uma boa solução. Como definiu um executivo do setor: se a intenção é fazer política, não basta retórica — é preciso aliviar o bolso das pessoas.

Os bancos, na prática, já vêm adotando uma postura mais seletiva na concessão de crédito. Trata-se de uma resposta natural a um cenário de custo de crédito e de captação mais elevados. E a frustração com o ritmo de corte de juros, diante da instabilidade trazida pela guerra no Oriente Médio, pode agravar esse quadro. Afinal, o que se observa hoje é uma redução da Selic em um ritmo mais gradual, ainda insuficiente para alterar de forma relevante as condições restritivas atuais.

A discussão sobre o crédito deve avançar. E um caminho possível, na visão das instituições financeiras, é a criação de incentivos à renegociação de dívidas, nos moldes do que foi feito em 2023 com o programa Desenrola Brasil.

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