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Política Sábado, 06 de Junho de 2026, 14:02 - A | A

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RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Lula aposta em negociação de última hora para evitar taxas de até 25% dos EUA

Governo Lula aposta em diálogo com Trump para evitar novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros

Manoel Netto

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a expectativa de reverter, por meio do diálogo diplomático, a possível aplicação de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Apesar da conclusão de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que recomendaram a imposição de taxas contra o Brasil, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que ainda há espaço para negociação antes que as medidas entrem em vigor.

As investigações concluídas nesta semana sugerem a aplicação de uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros sob a alegação de práticas comerciais consideradas desleais. Um segundo processo recomenda uma taxa adicional de 12,5%, baseada em acusações relacionadas ao uso de trabalho forçado na cadeia produtiva brasileira. Ambas as investigações foram conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

Apesar do impacto político e econômico provocado pelas conclusões do USTR, o governo brasileiro considera que o processo ainda não está encerrado. Isso porque as tarifas representam apenas recomendações e precisam passar por etapas adicionais, incluindo audiências públicas e aprovação final do presidente norte-americano Donald Trump.

Nos bastidores, a estratégia do governo federal é intensificar os contatos diplomáticos com Washington. A expectativa imediata está concentrada em uma conversa entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o chefe do USTR, Jamieson Greer. O objetivo é abrir canais formais de negociação e buscar alternativas capazes de evitar a implementação das medidas.

A avaliação de integrantes do governo é que a tarifa de 12,5%, relacionada à investigação sobre trabalho forçado, apresenta maior dificuldade para ser revertida. Interlocutores do Planalto entendem que essa medida foi estruturada de forma mais rígida e possui menor margem para revisão, atingindo inclusive países aliados dos Estados Unidos.

Por outro lado, a equipe de Lula acredita que a possível manutenção dessa taxa menor pode abrir espaço para negociações em torno da tarifa mais elevada, de 25%, considerada a mais preocupante para o setor exportador brasileiro.

Mesmo diante da insatisfação com o resultado das investigações, o governo brasileiro pretende manter o diálogo com a administração Trump. Integrantes do Itamaraty afirmam que diversos esclarecimentos técnicos e documentos foram encaminhados às autoridades norte-americanas durante o processo, embora avaliem que esses argumentos não tenham sido plenamente considerados nas conclusões apresentadas pelo USTR.

Nesta semana, Mauro Vieira e Jamieson Greer tiveram um breve encontro em Paris, onde reconheceram que os canais diplomáticos permanecem abertos. O governo brasileiro vê esse contato como um sinal positivo para a continuidade das negociações.

Outro fator que alimenta o otimismo do Planalto é o fato de que os procedimentos internos dos Estados Unidos ainda não foram concluídos. A expectativa é de que o processo administrativo se estenda até meados de junho, período considerado decisivo para eventuais acordos.

Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que o Brasil está disposto a discutir alternativas, desde que haja uma sinalização clara da Casa Branca sobre quais são suas demandas específicas. A avaliação é que os Estados Unidos ainda não detalharam quais concessões ou mudanças esperam do governo brasileiro, dificultando a apresentação de contrapropostas concretas.

Uma das poucas linhas vermelhas já estabelecidas pelo governo federal diz respeito ao Pix. Autoridades brasileiras têm reiterado que qualquer negociação envolvendo o sistema de pagamentos instantâneos está descartada.

Além da atuação diplomática, o Planalto também aposta na mobilização do setor produtivo. A expectativa é que empresários brasileiros e importadores norte-americanos pressionem a Casa Branca durante audiências públicas e por meio de interlocutores ligados ao governo Trump, destacando os impactos econômicos que as tarifas poderiam gerar para ambos os países.

No campo político, também existe a possibilidade de um novo encontro entre Lula e Donald Trump nos próximos dias. Os dois líderes devem participar da Cúpula do G7, prevista para ocorrer na próxima semana em Paris, na França. Embora ainda não haja confirmação oficial de uma reunião bilateral, integrantes do governo brasileiro acreditam que um encontro direto entre os presidentes poderia contribuir para destravar as negociações e reduzir as tensões comerciais entre os dois países.

Enquanto isso, o governo brasileiro segue trabalhando para evitar que as tarifas avancem para a fase de implementação, apostando na diplomacia como principal instrumento para preservar as relações comerciais entre Brasília e Washington.

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