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Política Sábado, 04 de Julho de 2026, 18:00 - A | A

Sábado, 04 de Julho de 2026, 18h:00 - A | A

TENSÃO COMERCIAL

Ministro acusa Flávio Bolsonaro de tentar escapar do desgaste por possível tarifaço dos EUA

Márcio Elias Rosa afirmou que viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos não ajuda nas negociações e tem motivação eleitoral diante da ameaça de novas tarifas.

Manoel Netto

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, intensificou as críticas ao senador Flávio Bolsonaro às vésperas do encerramento do prazo de consultas públicas da investigação conduzida pelos Estados Unidos que poderá resultar na imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Enquanto o governo brasileiro tenta negociar uma solução de última hora com autoridades norte-americanas para evitar sanções comerciais, Flávio Bolsonaro deve viajar na próxima semana para Washington, onde participará de uma audiência pública relacionada à investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

A apuração analisa supostas práticas comerciais consideradas irregulares por parte do Brasil e poderá recomendar a aplicação de tarifas de pelo menos 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

Durante entrevista concedida à BBC News Brasil na sexta-feira, 03/07, Márcio Elias Rosa responsabilizou Flávio Bolsonaro, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, o empresário Paulo Figueiredo e o ex-presidente Jair Bolsonaro pelo agravamento das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Segundo o ministro, a presença do senador na audiência não contribuirá para as negociações entre os dois países.

"Do ponto de vista da negociação, é ineficaz porque ele vai falar sobre o que não sabe e não conhece. Do ponto de vista eleitoral, ele está indo buscar um salvo-conduto para poder concorrer sem o risco de ser acusado pelo tarifaço", afirmou.

Rosa também questionou a mudança de postura do senador em relação às tarifas e disse não acreditar que a alteração seja genuína.

"Ele não me parece sincero com a mudança de opinião porque, se fosse 100% sincero, primeiro ele pediria desculpas por aquilo que eles estão patrocinando há mais de um ano contra a economia brasileira", declarou.

Na avaliação do ministro, "por isso é que eu acho que, do ponto de vista da negociação, é ineficaz e, do ponto de vista político, é pouco sincero".

As declarações ocorrem em meio à estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de associar integrantes da família Bolsonaro ao risco de novas sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Atualmente, o Brasil é alvo de duas investigações fundamentadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, mecanismo utilizado pelo governo norte-americano para apurar práticas comerciais consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais aos interesses de empresas dos Estados Unidos. Se confirmadas as conclusões da investigação, o país poderá enfrentar novas barreiras tarifárias sobre parte de suas exportações.

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