A sessão da Câmara Municipal de Várzea Grande desta terça-feira elevou a temperatura da crise política entre o presidente do Legislativo, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), e o líder da prefeita Flávia Moretti na Casa, vereador Bruno Rios (PL). Em pronunciamento na tribuna, Cerqueira acusou o colega de manter um suposto servidor fantasma em seu gabinete por cerca de quatro anos e adiantou que o caso deve resultar em processo administrativo.
O embate público reflete a escalada na troca de acusações entre os parlamentares. Da tribuna, o presidente da Casa afirmou que Bruno Rios tem feito denúncias públicas sem apresentar provas. Ele citou uma suposta declaração do líder governista de que os projetos de lei só seriam pautados na Ordem do Dia após a celebração de acordos políticos.
Ao rebater o posicionamento do colega, Cerqueira confirmou que já acionou os órgãos policiais. “Eu já registrei um BO contra ele. Ele vai ter que provar o que fala”, declarou.
O presidente da Mesa Diretora também mencionou a sindicância instaurada para apurar a suposta instalação de uma escuta clandestina no gabinete de Bruno Rios. Segundo o emedebista, o líder do Executivo não teria colaborado com as investigações conduzidas pela Casa, recusando-se a prestar esclarecimentos e a autorizar a oitiva dos servidores lotados em seu gabinete.
Suposto desvio de R$ 13 mil mensais
Durante o discurso, Cerqueira subiu o tom e argumentou que o parlamentar tenta desgastar a imagem da Mesa Diretora para desviar o foco de irregularidades internas. Sem revelar o nome do funcionário, o presidente detalhou que o servidor recebia cerca de R$ 13 mil mensais e acumulava funções em outros órgãos públicos enquanto estava vinculado à folha de pagamento do Legislativo municipal.
“Ele está querendo tumultuar e denegrir a nossa imagem e não tem moral para falar de mim. É uma pessoa que manteve um servidor fantasma por quatro anos aqui na Câmara e que vai responder a processo. Eu não passei a mão na cabeça desse servidor, que recebia cerca de R$ 13 mil aqui na Casa”, disparou o presidente. Cerqueira sugeriu, ainda, que o ataque do rival é uma reação à descoberta do esquema. “Por isso ele está com raiva de mim. E, se ele quiser, quando estiver aqui, eu falo diretamente para ele”, completou.
Outro Lado
Procurado pela reportagem, o vereador Bruno Rios rebateu duramente as declarações do presidente da Mesa Diretora, classificando-as como “levianas e covardes”, e garantiu que levará o caso ao Poder Judiciário.
O líder da prefeita destacou que as acusações foram proferidas no momento em que ele já havia se ausentado do plenário, o que demonstraria falta de responsabilidade institucional. “As acusações feitas pelo presidente são levianas e covardes. Ele esperou que eu deixasse a sessão para fazer ataques à minha pessoa. Mais uma vez, agiu de forma covarde”, declarou.
O parlamentar desafiou o presidente a sustentar as denúncias por vias oficiais. “Agora, aguardo que ele apresente provas do que está dizendo. Essa questão será discutida na Justiça”, completou Rios.



