O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), veio a público rebater uma informação divulgada em parte da imprensa local que aponta suposto bloqueio de quase R$ 7 milhões destinados à saúde do município. Segundo ele, a narrativa não corresponde à realidade e trata-se de uma informação falsa.
De acordo com o parlamentar, não há, atualmente, nenhum projeto em tramitação na Casa que trate de crédito adicional especial com recursos oriundos de emendas parlamentares, como foi divulgado. "É irresponsável querer enganar a população desta forma. Divulgando que eu barrei um aporte para saúde. Mentira! Não existe nenhum projeto neste sentido na Casa", afirmou o presidente.
A polêmica surgiu após a circulação de uma matéria que afirma que Cerqueira teria impedido, pela segunda vez, a inclusão na pauta de votação de um projeto que autorizaria a aplicação de R$ 6.967.179,00 na saúde pública de Várzea Grande. Segundo a versão divulgada, os recursos seriam provenientes de emendas parlamentares e destinados a reformas de unidades, mutirões e manutenção dos serviços.
Durante sessão legislativa, o vereador Bruno Rios (PL) chegou a solicitar a inclusão da proposta em caráter de urgência. "Há verba para reforma da unidade do São Mateus, reforma do Pronto-Socorro, mutirões de atendimento e até bicicletas elétricas para os agentes de saúde. É recurso essencial para nossa população. É saúde, não podemos deixar de votar", declarou.
Mesmo com o apelo, o pedido não foi acatado pela presidência da Casa, o que reforçou críticas de que o projeto estaria sendo travado. Como justificativa, Cerqueira explicou que qualquer matéria precisa seguir o trâmite legal antes de ser levada ao plenário. "Vereador, procure a Procuradoria da Câmara. O projeto se encontra lá", disse na ocasião.
Em sua manifestação oficial, no entanto, o presidente reforçou que o projeto citado na reportagem sequer existe nos moldes apresentados. Segundo ele, o único texto encaminhado pelo Executivo trata de remanejamento orçamentário, sem relação com novas emendas parlamentares.
Cerqueira também destacou que a Câmara já havia autorizado, no fim de 2025, um acréscimo de 5% no orçamento municipal para o exercício de 2026, o que representa cerca de R$ 10 milhões a mais disponíveis para gestão. Esse mecanismo, segundo ele, permite maior flexibilidade ao Executivo sem necessidade de novos projetos emergenciais.
"O que existe é um projeto do executivo sobre remanejamento de recursos orçamentários", reforçou o presidente, explicando que a proposta segue o rito normal da Casa, com análise pelas comissões de Constituição, Justiça e Redação, além da Comissão de Finanças e Orçamento.
Do outro lado, a Prefeitura, por meio da secretária de Planejamento, Drielli Martinez, sustenta que os recursos são fundamentais para o funcionamento da saúde. "Esse dinheiro é recurso garantido e estamos seguindo toda legislação. Ele é fundamental para o custeio e manutenção da saúde do município", afirmou.
A divergência entre Legislativo e Executivo expõe mais um capítulo de tensão política em Várzea Grande, com versões conflitantes sobre a existência e o andamento do projeto. Enquanto a base do governo fala em risco de prejuízos à saúde pública, a presidência da Câmara afirma que não há qualquer bloqueio, mas sim o cumprimento das regras regimentais e da legalidade.




