Comer produtos de um animal – carnes e frango e ovos - contaminados não transmite o vírus da gripe aviária. A transmissão acontece, em semelhança ao que se observou no vírus da Covid-19, por gotículas aerossóis.
"As aves eliminam o vírus por secreção respiratória, por espirro, e podem eliminar pelas fezes, e isso faz o aerossol que entra pelo aparelho respiratório da próxima ave e assim a transmissão acontece muito rapidamente", diz o professor da USP.
De acordo com a veterinária especialista em zoonoses Paula Giaffone, a mudança do status sanitário pode ser revertida em 30 ou 60 dias, a depender dos resultados dos efeitos das medidas sanitárias. "As próximas semanas serão importantes, e carne e ovos seguem seguros por enquanto."
A SITUAÇÃO PODE SAIR DE CONTROLE?
Os Estados Unidos são o exemplo negativo. Nos EUA, a situação está realmente complicada, o vírus se espalhou por granjas, atingiu rebanhos leiteiros e o vírus é encontrado até em testes de água, nos sistemas de distribuição de água.
HÁ REFLEXOS PARA O CONSUMIDOR?
A gripe aviária já causou o sacrifício de 169 milhões de aves nos Estados Unidos e é um dos principais fatores responsáveis pela alta no preço dos ovos, um dos principais vetores da inflação e do descontentamento dos americanos com o governo de Donald Trump.
MOTIVO DOS EMBARGOS COMERCIAIS
Embora o consumo da proteína animal não leve à transmissão, os países têm políticas de suspensão de importações dos lugares onde houve detecção de gripe aviária para evitar a entrada do vírus em zonas livres de influenza aviária.
A primeira atitude tomada é parar a importação de um país que tenha uma dessas doenças de risco para a avicultura, pela alta transmissibilidade e alta letalidade, explicam os especialistas.