Poucas horas após a entrada em vigor do cessar-fogo de duas semanas para negociações entre Washington e Teerã, o Irã se viu forçado a fechar o Estreito de Ormuz em reação ao massacre no Líbano perpetrado por Israel nesta quarta-feira (08/04), em violação da trégua acordada na véspera.
O premiê libanês Nawaf Salam acusou Israel de atingir áreas densamente povoadas e de ignorar esforços internacionais pela paz. Conforme o acordo mediado pelo Paquistão, a trégua atinge todas as frentes da guerra, com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, citando explicitamente o Líbano. Cumprindo sua parte, antes que a barbárie sionista voltasse a brutalizar o Líbano, o Irã havia permitido a passagem de dois petroleiros.
“Mal se passaram algumas horas desde o acordo de cessar-fogo, e o regime sionista, com sua natureza predatória e sua identidade inseparável do assassinato de inocentes, crianças e mulheres, iniciou um massacre brutal em Beirute”, denuncia a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) em um comunicado divulgado nesta última quarta-feira (08/04).
“Advertimos severamente os Estados Unidos, que romperam o pacto, e seu parceiro sionista, de que se a agressão contra o amado Líbano não cessar imediatamente, cumpriremos nosso dever e daremos uma resposta enérgica aos agressores malignos na região”, alertou o comunicado.
Cessar-fogo para todos – inclusive o Líbano – ou para ninguém
“Ou há um cessar-fogo em todas as frentes, ou não há cessar-fogo em nenhuma frente”, advertiu o porta-voz do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ibrahim Rezaei.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, conversou pelo telefone com o primeiro-ministro Sharif, reiterando que o cessar-fogo no Líbano é uma “condição fundamental” para a desescalada e faz parte do plano de paz de 10 pontos que os EUA aceitaram como uma “base viável” para as negociações.
Irã aos EUA: “contenha seu cão raivoso”
Segundo a agência de notícias iraniana Fars, Teerã está “finalizando os preparativos para realizar uma operação de dissuasão contra posições militares israelenses”.
Na avaliação da fonte, que falou sob condição de anonimato, Teerã acredita que os ataques brutais de Israel ao Líbano são a prova de que Washington é incapaz de controlar Netanyahu ou deu carta branca a Tel Aviv.
“Se os Estados Unidos não conseguirem conter seu cão raivoso na região, o Irã o ajudará nessa questão, excepcionalmente, por meio da força.”
O cessar-fogo agora ameaçado foi acordado na terça-feira, depois de um mês de guerra de agressão desencadeada pelos EUA e por Israel contra o Irã, e após Washington ser surpreendido pela resistência iraniana que reagiu com uma saraivada diária de mísseis, inclusive hipersônicos, e drones, sobre as bases e interesses norte-americanos no Golfo, destruição dos radares estratégicos e de aviões da agressão, fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo, gás, fertilizantes e gás hélio mundial, fazendo o preço da energia disparar no mundo inteiro. Inclusive nos EUA onde, a sete meses das eleições, em 30 dias de guerra a gasolina aumentou 35%.
66% dos americanos querem o fim imediato da guerra, enquanto os europeus recusaram o chamado de Trump para atacar o Irã. Sempre exigindo “tomar o petróleo” iraniano, o descontrolado Trump – horas antes de ser forçado a aceitar o plano de paz iraniano – ameaçou “destruir uma civilização inteira em uma noite”, passando recibo de seu isolamento e insanidade, e tornando a posição dos EUA insustentável perante o mundo.




