Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais, voltou a falar sobre a taxa Selic praticada pelo Banco Central e, dessa vez, colocou o dedo na ferida ao afirmar que “o problema central das contas públicas são os juros estratosféricos que impactam no crescimento da dívida. Não tem superávit fiscal que resolva isso”, declarou, diante da cobrança do chamado mercado e de setores da grande mídia para que o governo controle as contas públicas por meio de cortes nos gastos sociais.
“Garantir o aumento real dos salários e da renda, inclusive dos aposentados, é essencial para promover o crescimento do país com um mínimo de justiça social”, argumentou. Na mesma linha, reforçou que “garantir a concessão dos benefícios, dentro das regras estabelecidas, também é um direito das pessoas”.
A ministra rejeitou ainda, de forma incisiva, a proposta oriunda do mercado para transferir o custo dos ajustes fiscais para a população mais vulnerável.
E apontou a solução. “É cortando os juros, e não a renda e as aposentadorias, que vamos cuidar da saúde das contas públicas”, afirmou, defendendo também os investimentos públicos como motor do crescimento econômico.
Gleisi argumentou que o desenvolvimento sustentado do país só será possível com a superação de limitações fiscais que engessam a economia. “O desenvolvimento sustentado virá com a retirada dos investimentos de qualquer trava, arcabouço, limite fiscal. Essa é uma discussão imperativa para um projeto de país”, defendeu.
RENTISMO NA CONTRAMÃO DO CRESCIMENTO
Os bancos e rentistas, entretanto, continuam insistindo na manutenção da Selic em patamar elevado e projetam uma queda mínima da taxa para o final deste ano, para 12,25%. Mantida essa tendência, o governo continuará gastando volumes expressivos de recursos para administrar a dívida pública. Nos últimos 12 meses, quase R$ 1 trilhão, algo em torno de 10% do PIB, foram consumidos com juros, em detrimento de investimentos públicos e gastos sociais.




