Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o senador Renan Calheiros e o ministro dos Transportes, Renan Filho, em encontro que incluiu discussões sobre o cenário eleitoral de 2026.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que Lula tratou da possibilidade de o candidato a vice na chapa à reeleição ser do MDB durante uma conversa com ele e outro parlamentar do partido, em um encontro realizado no fim do ano passado, na Granja do Torto.
Na semana passada, Lula admitiu publicamente pela primeira vez a hipótese de mudar a composição da chapa ao afirmar que o vice-presidente Geraldo Alckmin terá um “papel a cumprir” na eleição em São Paulo. Um dos nomes cotados para a vice, caso a vaga seja destinada ao MDB, é o ministro Renan Filho, filho de Renan Calheiros.
Questionado se Lula aceitaria ter um vice do MDB, Renan respondeu: “Quem falou isso foi o Lula, não fomos nós. Ele tratou disso comigo no dia 17/12, na Granja do Torto”.
A declaração reforça a movimentação do Palácio do Planalto para ampliar a aliança governista em direção ao centro político, estratégia considerada por aliados como essencial para a disputa presidencial. O MDB é visto como peça-chave nesse desenho por sua capilaridade regional e peso no Congresso, embora mantenha tradição de decisões autônomas nas convenções partidárias.
Renan afirmou que uma eventual indicação para a vice dependeria primeiro de um convite formal do presidente e, depois, de debate interno no partido. Segundo ele, o principal ativo que o MDB poderia oferecer seria o apoio de uma “banda consistente” da legenda, capaz de ampliar a coalizão eleitoral de Lula.
O senador citou quadros como a ministra Simone Tebet, o governador do Pará, Helder Barbalho, e o presidente do partido, Baleia Rossi, mas ressaltou que o debate ainda “não está posto”.
A possibilidade de mudança na vice ocorre em meio às incertezas sobre a permanência de Alckmin. Lula tem alternado sinais públicos. Ao mesmo tempo em que elogia o atual vice-presidente, admite discutir novos arranjos para ampliar alianças e fortalecer a reeleição.
Nos bastidores, dirigentes governistas avaliam que oferecer a vaga ao MDB poderia consolidar apoio de setores do centro e reduzir a margem de crescimento de candidaturas adversárias. A estratégia dialoga com outras iniciativas recentes de aproximação com partidos médios, incluindo conversas com lideranças do PP e do União Brasil para neutralidade ou composição regional no pleito.
Apesar disso, Renan ressaltou que o MDB não pode ser “obrigado” a apoiar qualquer candidatura e que a definição dependerá do calendário formal das convenções, previstas até 08/2026. Para o senador, a escolha do vice é circunstancial e vinculada à estratégia eleitoral do candidato à Presidência.
Uma eventual composição entre Lula e MDB, caso avance, tende a redesenhar o equilíbrio político da eleição de 2026, ampliando o arco de sustentação do atual presidente e reorganizando o cenário partidário.




