Os juros altos fixados pelo Banco Central, além de estarem afastando os brasileiros do consumo, forçam que eles comprometam 29,2% de suas rendas para quitar dívidas com os bancos, situação que prevalece desde outubro do ano passado, o maior percentual em pelo menos 20 anos, segundo dados do próprio BC.
A taxa de juro anual do cartão de crédito rotativo variou em 424,5%, em média, em janeiro de 2026. A utilização do cartão de crédito é a opção que resta para as compras do dia a dia, principalmente para as famílias de baixa renda, com renda arrochada, grande parte atingida pela informalidade no trabalho, em uma economia que desacelera devido à política monetária de arrocho do BC.
De setembro de 2024 a julho de 2025, a Selic subiu de 10,5% para 15%.
De maneira que a inadimplência no Brasil é impulsionada pelo alto custo do crédito, reflexo da manutenção da taxa Selic em níveis nocivos ao consumo e que onera de forma abusiva o endividamento das famílias. A Selic chegou a cair um pouco, de 13,15% para 10,5%, entre 2023 e meados de 2024, mas voltou a disparar entre setembro de 2024 e junho de 2025, subindo de 10,5% para 15%.
Na última quarta-feira (18/3), após ter mantido o nível da Selic no seu maior patamar em 20 anos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a Selic em apenas 0,25 ponto percentual, diminuindo o nível da taxa de 15% para 14,75%. Redução a conta-gotas, ou nada de corte, para manter os lucros dos bancos e rentistas na lua.
Afinal, quando falamos em um juro real (descontada a inflação), a taxa já encosta nos 11%, remunerando o rentismo, enquanto asfixia os setores produtivos do país.
73,7 milhões de inadimplentes
Em fevereiro deste ano, o Brasil atingiu a marca de 73,7 milhões de inadimplentes, alta de 10,22% em comparação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, divulgado na última segunda-feira (16/3). O setor bancário concentra a maior parte das dívidas, respondendo por 66,22% do total.
O presidente da CNDL, José César da Costa, alerta que “o avanço da inadimplência reflete o cenário desafiador que o brasileiro enfrenta para equilibrar o orçamento doméstico”.
“O consumidor inadimplente perde seu poder de compra e, por consequência, retira-se do mercado de consumo. Sem crédito e com a renda corroída, o consumo das famílias trava, o que impacta diretamente o dinamismo do comércio e de todo o setor de serviços, retardando a recuperação econômica do país”, completa.




