O lucro dos três maiores bancos privados no Brasil atingiu a cifra escandalosa de R$ 87 bilhões em 2025, em meio à desaceleração da economia, queda no ritmo de geração de empregos e com a inadimplência das famílias e empresas em níveis elevados.
Apenas o Banco Itaú obteve um lucro líquido de R$ 46,83 bilhões em 2025, um recorde histórico. O mesmo banco, o maior do país, que saiu em defesa da manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 15% na véspera da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, em janeiro, que manteve os juros reais, descontada a inflação, em patamar elevado.
BRADESCO E SANTANDER
O Bradesco obteve lucro líquido em 2025 de R$ 24,65 bilhões, uma alta de 26%. No último trimestre, foi de R$ 6,5 bilhões. Já o espanhol Santander, que além de lucrar muito no Brasil garantindo grande parcela de recursos para sua matriz, 15,4% do lucro global, às custas do povo brasileiro, obteve lucro líquido de R$ 15,615 bilhões, um crescimento de 12,6% em relação a 2024.
Os resultados contrastam frontalmente com o desempenho do restante da economia, indústria, comércio e serviços não financeiros, que são penalizados pelos juros elevados alavancados pela Selic de 15% ao ano.
De acordo com André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE sobre a produção industrial física, “ao longo de 2025, verificou-se uma clara perda de ritmo, com o setor industrial passando de uma expansão de 1,2% nos seis primeiros meses para uma variação nula no segundo semestre. O menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente nas decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias”.
O cenário também foi responsável por uma despesa elevada do setor público com juros, superando um trilhão de reais em 2025.
E ainda pressionam por cortes sociais e investimentos públicos porque “eles querem garantir o que nós pagamos para eles”, como afirmou o presidente Lula em entrevista ao UOL.
A realidade demonstra que a economia caminha doente. A razão dos lucros insólitos dos bancos se contrapõe às demais atividades econômicas. Os bancos não cumprem seu papel social de fornecedor de crédito para o desenvolvimento econômico. Pelo contrário, utilizam sua posição estratégica na economia para concentrar para si a riqueza gerada.




