As projeções do Boletim Focus, órgão oficioso da Faria Lima, publicado pelo Banco Central (BC), trouxeram, na consolidação de segunda-feira (2/2), mais uma redução na inflação (IPCA) para o ano de 2026. De 4,0% na semana passada para 3,9% (quarta redução semanal consecutivas).
Com a Selic, taxa básica de juros da economia, mantida em 15% na reunião do Banco Central ocorrida na semana passada, as aplicações vão ter um ganho correspondente a uma taxa de juro real (descontada a inflação) de 10,59%. A segunda taxa mais alta do planeta. Derrubando o investimento produtivo e o consumo das famílias.
Para o final do ano, o cartel de bancos pressiona pela manutenção dos juros elevados, e que a redução só poderá ser a conta-gotas, encerrando o ano de 2026 nos absurdos 12,25% ao ano.
A taxa básica de juros projetada para 2026 permaneceu em 12,25% ao ano, patamar mantido há seis semanas. Pelo menos até março, quando da segunda reunião do ano do Copom do BC, a Selic permanece em 15%.
A projeção de crescimento da economia nos minguados 1,8% no ano é a demonstração mais evidente de como a política contracionista do BC, com taxas de juros estratosféricas, é um remédio, que para conter a inflação, está condenando o doente a uma asfixia que pode ser “mortal”, com a queda da produção industrial já em curso, dos negócios no comércio e nos serviços, e a possibilidade real pela frente de desemprego e queda na renda.
Com taxas Selic acima de 13,25% em janeiro de 2025 e a manutenção em 15% desde junho desse ano, as despesas com juros atingiram a astronômica cifra de R$ 1.007,6 trilhão em 2025, conforme o relatório de “Estatísticas Fiscais” do BC. Um trilhão de recursos públicos torrados com pagamento de juros.
Sangria no erário público supera as projeções do Orçamento da União para 2026 da soma de toda a verba combinada do Ministério da saúde, do Ministério da educação, do Ministério das Cdades (Minha Casa, minha vida) e o Ministério do Desenvolvimento Social (Bolsa Família e BPC).
A taxa de investimento na economia brasileira, medida pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), deve se situar em torno de 17% a 18% do PIB em 2025. De acordo com dirigente da associação das indústrias de máquinas e equipamentos (Abimaq) e economistas, a taxa de investimentos deveria ser em torno de 25% para que o Brasil possa crescer, se reindustrializar, gerar mais empregos e pagar salários dignos. A economia chinesa mantém taxa acima de 40%.
Com a metade das despesas de juros, em torno de 500 bilhões, se investido na economia, ao invés de ficar na ciranda financeira, equivaleria algo em torno de 4,5% pontos percentuais de acréscimo na taxa de investimento. Esse nível de acréscimo de investimento público certamente atrairia importantes investimentos do setor privado.



