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Política Quarta-feira, 15 de Abril de 2026, 07:46 - A | A

Quarta-feira, 15 de Abril de 2026, 07h:46 - A | A

Professor da USP estima que 40% da população adulta do país será obesa até 2035

Ganho de peso da população é quadro desesperador, diz o especialista

Da Redação

Foi-se o tempo em que cuidar da alimentação e fazer exercícios físicos podiam ser vistos como frivolidades ou comportamentos exclusivos de atletas. Mas nem por isso o estilo de vida saudável está disseminado na população.

Algumas projeções estimam que, até 2035, cerca de 40% dos adultos no Brasil serão obesos. "A gente precisa atuar para reverter esse quadro que é, realmente, desesperador", afirmou Bruno Gualano, doutor em educação física e professor da Faculdade de Medicina da USP, durante entrevista gravada no estúdio da TV Folha, em São Paulo.

"[O ganho de peso da população] certamente onerará o nosso SUS e terá um ônus também muito grande para a saúde, para o bem-estar da sociedade", diz Bruno Gualano, porque diversas doenças crônicas estão associadas à obesidade. “Vários tipos de câncer, por exemplo, além de hipertensão arterial, diabetes tipo 2, artrite, osteoartrite, depressão e ansiedade, entre outras condições”, alerta.

Em aulas disponíveis no site casafolhasp.com.br, Gualano, que é presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da USP, também explica em que situações faz sentido consumir suplementos como whey e creatina, hoje quase onipresentes nas academias.

Nas aulas de Bruno Gualano no Casafolhasp.com.br, ele argumenta que o problema da obesidade não tem solução fácil por envolver uma multiplicidade de fatores que se entrelaçam e, muitas vezes, se reforçam.

No nível básico, a questão poderia se resumir a consumo e gasto de calorias. Mas isso não explica muito; ainda falta entender por que a pessoa come mais do que precisaria e despende menos energia do que seria necessário.

É aí, segundo Gualano, que entram aspectos comportamentais e ambientais, como qualidade e preço dos alimentos à disposição, oportunidades de fazer atividades físicas, informação, estímulos.

Os mesmos fatores também rondam as dietas que prometem milagres e os novos medicamentos, ainda que estes possam entregar resultados promissores.

"Nós estamos ainda engatinhando [nas pesquisas], sobretudo para entender o efeito a longo prazo dessas drogas", diz Gualano. "E daí, mais uma vez, surge a importância da adoção de um estilo de vida saudável para a manutenção dos ganhos que porventura a gente tenha com drogas emagrecedoras."

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