O bairro Carrapicho, em Várzea Grande, voltou ao centro das discussões após novas manifestações de moradores cobrando melhorias estruturais e denunciando o abandono por parte da gestão municipal. O protesto recente na Câmara Municipal escancarou não apenas a precariedade enfrentada pela comunidade, mas também a indignação com as prioridades adotadas pela prefeitura.
Durante o ato, moradores exibiram cartazes e fizeram críticas diretas à prefeita Flávia Moretti. Entre as frases, uma sintetizou o sentimento da população: “Cadê a prefeita? Que só se preocupa com festas e o barro do Carrapicho segue abandonado”.
A revolta ganhou ainda mais força com comparações feitas pelos próprios manifestantes sobre os investimentos destinados a eventos como a ExpoVG, enquanto bairros inteiros seguem sem infraestrutura básica. Para os moradores, há um contraste evidente entre os recursos aplicados em festividades e a ausência de obras essenciais como pavimentação, drenagem e saneamento.
O Carrapicho é historicamente marcado por problemas estruturais. Ruas sem asfalto, lama constante no período chuvoso, falta de rede de esgoto e dificuldades no acesso fazem parte da rotina da comunidade há anos. Em dias de chuva, o cenário se agrava, com vias praticamente intransitáveis e moradores enfrentando dificuldades até para sair de casa.
Apesar de sucessivas promessas de reestruturação ao longo de diferentes gestões, a população afirma que pouca coisa mudou. A atual administração chegou a anunciar projetos e estudos para melhorias, mas, até o momento, os resultados concretos ainda não chegaram ao bairro.
A insatisfação aumenta quando a população observa a realização de eventos de grande porte, como a ExpoVG, que envolvem altos custos e mobilização de recursos públicos. Para os moradores, a situação levanta questionamentos sobre a aplicação do dinheiro público e a real prioridade da gestão.
As manifestações, cada vez mais frequentes, mostram que o desgaste político cresce na mesma proporção em que os problemas persistem. A cobrança é clara: menos festa e mais investimento em infraestrutura básica.
Enquanto isso, o Carrapicho segue como um retrato da desigualdade urbana em Várzea Grande, onde comunidades inteiras ainda aguardam por condições mínimas de dignidade, mesmo diante de gastos expressivos em eventos e ações que, segundo os moradores, não atendem às necessidades mais urgentes da população.




