O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria afirmado em mensagens extraídas de seu celular pela Polícia Federal que foi pressionado a realizar pagamentos ao resort Tayayá, empreendimento ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Os diálogos com seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, foram publicados em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.
As conversas, obtidas a partir de material extraído pela PF, indicam que Vorcaro autorizou repasses que, somados, chegaram a R$ 35 milhões ao resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. No empreendimento, a empresa Maridt, ligada ao ministro e a seus familiares, manteve participação societária até 2025.
As mensagens constam no relatório encaminhado pela Polícia Federal ao STF nesta semana, o que aumentou a pressão para que Toffoli deixasse a relatoria de processos envolvendo o Banco Master. Na última quinta-feira, o ministro se declarou afastado do caso a pedido, após reunião com os demais integrantes da Corte. O conteúdo das mensagens está sob análise da Procuradoria-Geral da República.
Segundo a reportagem, as conversas indicam que Zettel, alvo da PF, atuaria como operador de Vorcaro. Procurado, Toffoli afirmou não ser “administrador nem gestor da Maridt”. Em nota anterior, o ministro negou ter recebido repasses de Vorcaro ou de Zettel.
Em maio de 2024, Vorcaro teria cobrado Zettel sobre um aporte relacionado ao empreendimento. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, teria escrito o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.
Na sequência, Zettel encaminhou uma lista de pagamentos para aprovação, na qual constava a indicação “Tayaya 15”, possivelmente referência a R$ 15 milhões. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.
Meses depois, em agosto de 2024, o banqueiro voltou a mencionar cobranças. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, questionou. Após receber a informação de que o valor havia sido transferido a um intermediário, reagiu: “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.
Em seguida, Vorcaro pediu um levantamento dos aportes: “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. O cunhado respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.
Nesta semana, Toffoli reconheceu ser sócio da empresa Maridt, que teve participação no Tayayá até fevereiro de 2025. A empresa vendeu parte da participação no resort a fundos de investimento controlados por Zettel em 2021 e, posteriormente, em fevereiro de 2025, negociou o restante da fatia com a PHB Holding.
O ministro também reconheceu ter recebido dividendos da empresa familiar. Em nota anterior, afirmou que a participação societária no empreendimento foi encerrada antes de assumir a relatoria de ação envolvendo o Banco Master no STF.




