O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou neste domingo, em Aparecida, que as tarifas globais de 15%, impostas por Donald Trump, são benéficas ao mercado brasileiro. A exemplo do que havia afirmado na última sexta-feira, dia 20, após o presidente americano anunciar uma tarifa inicial de 10%, posteriormente majorada, Alckmin ressalta que o Brasil ganhará competitividade.
“Foi positiva, porque estabeleceu que a alíquota deve ser igual para todos. Inicialmente era 10%, na última ordem executiva foi para 15%”, afirmou, acrescentando:
“É positivo para o Brasil por duas razões. Primeiro, que nós tínhamos uma alíquota mais alta em relação aos demais competidores. Muitos países tinham 10%, 15% e nós 50%. Então, isso ajudou muito a competitividade dos produtos brasileiros para a gente poder exportar mais para os Estados Unidos, conquistando mais mercado, gerando emprego, renda no Brasil. E é justa, porque a tarifa média de entrada dos produtos americanos no Brasil é 2,7%. E os Estados Unidos têm déficit com o mundo inteiro, praticamente.”
Para Alckmin, uma reunião entre Lula e Trump, prevista para ocorrer em março, proporcionará ao Brasil “uma avenida” de oportunidades:
“E acho que tem uma avenida de negociação com a ida do presidente Lula, agora em março, para os Estados Unidos, para a gente conseguir abordar ainda além das questões tarifárias, questões não tarifárias”, enfatizou.
Alckmin ressaltou que “os Estados Unidos, embora não sejam o maior comprador do Brasil — o primeiro é China, o segundo é a União Europeia, ele é o terceiro —, é quem compra valor agregado, produto industrial, manufatura, motores, máquinas”.
“Então, tudo isso é beneficiado”, afirmou Alckmin.
Na Índia, o presidente Lula afirmou neste domingo que está confiante de chegar a um acordo com os EUA durante a visita que deve fazer ao país em março. O presidente brasileiro disse acreditar ser do interesse dos dois países chegar a um consenso.
O presidente em exercício comentou, porém, que vê com preocupação o anúncio de Trump sobre a manutenção das investigações comerciais contra o Brasil, a exemplo do que ocorre com a China.
“Então, isso preocupa. É a chamada Seção 301, mas ela vai ser esclarecida. O problema do PIX, citado pelos EUA como um dos fatores que levaram à investigação, olha, o PIX é um exemplo para o mundo de você ter uma medida que é altamente benéfica à população, sem custo, com garantia, com segurança. Outras questões abordadas vão ser esclarecidas. Isso já aconteceu no passado e o Brasil esclareceu”, concluiu Alckmin.
As falas de Geraldo Alckmin em Aparecida ocorreram durante o lançamento da Campanha da Fraternidade, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, cujo tema é “Fraternidade e Moradia”.




