Cada vez mais presentes nos campos de batalha desde a eclosão da Guerra da Ucrânia, há quatro anos, os drones militares ganharam protagonismo global e passaram a integrar de forma mais estruturada a agenda das Forças Armadas brasileiras.
Nos últimos meses, novos projetos marcaram a entrada do país na corrida por essa tecnologia, considerada barata e capaz de causar grande efeito contra alvos muito mais caros, ampliar o alcance das operações, com menor exposição de militares.
‘Enxames’ e kamikazes
Inspirado no veículo aéreo não tripulado Carcará, usado pela Marinha em operações de reconhecimento desde 2007, o drone kamikaze teve testes finalizados em outubro passado, em operação em Formosa (DF). O equipamento tem alcance de até 5km e autonomia de 25 minutos.
— É um equipamento barato que consegue causar grande efeito contra sistemas muito mais caros — diz o capitão Rodrigo Rodrigues, acrescentando que partes das aeronaves podem ser feitas em impressoras 3D.
O impacto dessa tecnologia aparece no conflito do Oriente Médio, que envolve forças dos EUA e Israel contra o Irã. Nele, mísseis Patriot de US$ 4 milhões são usados para derrubar drones kamikaze iranianos Shahed-136, que custam cerca de US$ 20 mil. Muitos são interceptados, mas parte consegue atingir os alvos.
— Com a aceleração do projeto e compras em escala com fornecedores, calculamos um custo entre R$ 10 mil e R$ 20 mil — diz Rodrigues sobre os kamikaze brasileiros. O drone kamikaze se autodestrói ao atingir o alvo, e um quadricóptero capaz de transportar e soltar explosivos.
“É uma mudança grande dentro da Marinha, pois vamos precisar de gente capacitada em análise de dados, big data, eletrônica e aviônica. Vai causar grande evolução em pouco tempo”, disse o capitão de Mar e Guerra Rodrigo Rodrigues, à frente do esquadrão.
Escola de drones para preparar militares
Para preparar militares que saibam operar essas aeronaves não tripuladas, tanto em missões de vigilância quanto em ações ofensivas, a Marinha inaugurou este mês a Escola de Drones, onde oficiais também estudarão as aplicações da tecnologia. A unidade fica no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo, próximo ao esquadrão, e a ideia é que todo fuzileiro naval passe pela instituição.
— Vai ser o repositório de todo o nosso conhecimento, do que está acontecendo nas guerras e de como os países estão lidando com essa inovação — afirma o vice-almirante Renato Rangel, responsável pelo treinamento. — O cabo, o sargento, o tenente, o comandante já sairão do centro de instrução sabendo pilotar e conhecendo as vantagens, técnicas e táticas do emprego de drones.




