Uma proposta considerada incomum nos bastidores do Judiciário pode mudar o rumo do chamado caso Master no Supremo Tribunal Federal. A defesa do empresário Daniel Vorcaro, liderada pelo advogado José Luís de Oliveira Lima, apresentou ao ministro André Mendonça a ideia de uma delação premiada construída em conjunto com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
A sinalização inicial do relator foi positiva. A proposta busca evitar questionamentos futuros e dar mais robustez jurídica ao acordo, algo que não se viu nem mesmo em grandes investigações como a Operação Lava Jato.
O desafio, no entanto, vai além do ineditismo. Historicamente, Polícia Federal e PGR disputam protagonismo nas investigações, e essa tensão ainda é tema de discussão dentro do próprio STF. No caso Vorcaro, a complexidade aumenta devido ao alcance político das relações do empresário, que atravessam diferentes espectros partidários.
Nos bastidores, ainda não há alinhamento entre todos os envolvidos. As conexões institucionais e políticas são vistas como entraves iniciais para a construção do acordo.
Segundo apuração, a estratégia inicial de Vorcaro seria colaborar com informações envolvendo políticos, mas evitar citações diretas a ministros do STF. A avaliação é de que o procurador-geral Paulo Gonet não aceitaria uma delação que atingisse integrantes da própria Corte.
O clima entre as autoridades também não ajuda. A relação entre Mendonça e Gonet é considerada distante, especialmente após críticas do ministro à ausência de manifestação da PGR em decisões recentes envolvendo Vorcaro.
Apesar das resistências, a expectativa entre interlocutores é de que uma eventual delação avance sob o compromisso de ser “consistente” e atingir diretamente eventuais responsáveis por irregularidades, evitando acordos frágeis ou contestáveis no futuro.




