Cuiabá, 20 de Abril de 2026
  
DÓLAR: R$
Cuiabá, 20 de Abril de 2026
  
DÓLAR: R$
Logomarca
facebook instagram twitter whatsapp

Política Segunda-feira, 20 de Abril de 2026, 00:14 - A | A

Segunda-feira, 20 de Abril de 2026, 00h:14 - A | A

Mineração avança sobre terras indígenas em Mato Grosso

Áreas situadas na região do Escudo Cristalino despertam interesse em mais de 13 mil pedidos ligados à atividade mineral

Da Redação

Mais de nove, em cada dez terras indígenas de Mato Grosso, têm processos minerários no entorno. É o que mostra o boletim Pressões e ameaças às terras indígenas em Mato Grosso, da Operação Amazônia Nativa (Opan), divulgado em março. Segundo o levantamento, 69 dos 74 territórios indígenas (93%) do estado estão cercados por 1.234 processos em um raio de até 10 quilômetros, somando 2,56 milhões de hectares sob pressão.

O avanço faz parte de um movimento mais amplo de expansão da mineração em Mato Grosso. Entre 2018 e 2025, o número de processos minerários no estado saltou de 5.926 para 13.627, alta de quase 130%. Hoje, a área vinculada a esses processos chega a 22,5 milhões de hectares, o equivalente a 24,9% do território estadual. Trata-se de uma área quase do tamanho do estado de São Paulo (24,8 milhões de hectares).

O ouro lidera essa corrida no entorno das terras indígenas, com 1,33 milhão de hectares em áreas de processos minerários. Na sequência aparecem minerais estratégicos como cobre, diamante, manganês, chumbo, estanho, cassiterita e níquel. O padrão ajuda a explicar por que a pressão não se restringe ao garimpo tradicional. Parte relevante dessa disputa envolve minerais de alto valor no mercado internacional e insumos considerados estratégicos para a indústria e para a transição energética.

A concentração desses pedidos em Mato Grosso não é aleatória. O boletim relaciona a ofensiva ao chamado Escudo Cristalino do Brasil Central, também vinculado ao Cráton Amazônico, formação geológica antiga e rica em ouro, cobre, níquel, manganês e diamante. É essa base mineral que sustenta a cobiça sobre áreas próximas a terras indígenas, sobretudo em regiões como a bacia do Juruena, o Vale do Guaporé e o entorno da TI Sararé.

O avanço também é impulsionado por decisões políticas. Segundo a coordenadora da Opan, Andreia Fanzeres, o interesse na mineração ganhou centralidade na agenda estadual. “O interesse político na exploração mineral em Mato Grosso é uma das pautas de desenvolvimento mais fortes do estado atualmente e, assim, podemos compreender os incentivos e facilidades no licenciamento ambiental para que a mineração avance sobre outras alternativas econômicas”, explica.

Embora muitos desses processos ainda estejam em fases iniciais, a pressão já é concreta. Os títulos mais frequentes no estado são de autorização de pesquisa, requerimento de lavra garimpeira e requerimento de pesquisa. Na prática, isso significa que a ameaça não começa apenas quando a mina entra em operação. Ela começa antes, com a abertura de frentes de prospecção, a circulação de empresas e cooperativas, a disputa pelo subsolo e a ampliação de brechas regulatórias em áreas sensíveis.

Cerco minerário sobre as terras indígenas

O recorte de 10 quilômetros usado pela Opan segue um critério técnico adotado em normas do licenciamento ambiental federal para análise de impactos sobre terras indígenas na Amazônia Legal. Mesmo assim, o próprio boletim alerta que os efeitos reais da mineração frequentemente ultrapassam esse limite, alcançando os territórios por meio da contaminação da água, do desmatamento, da pressão populacional e da desestruturação social.

A TI Vale do Guaporé aparece no topo, com 143 processos minerários no entorno e cerca de 237 mil hectares pressionados. Depois vêm Tadarimana, com 75 processos, e as TIs Escondido e Sararé, ambas com 72. A TI Areões também aparece entre as mais pressionadas, com 62 processos. Em várias dessas áreas, o mapa produzido pela Opan mostra territórios praticamente cercados por requerimentos e autorizações.

Comente esta notícia

Canais de atendimento

Informações e Comercial
adalbertoferreiraassessoria@gmail.com
Telefones de Contato
(65) 99604-4302
Endereço
Rua Professora Enildes Silva Ferreira, 8 QD 3 sala B - CPA III, Cuiabá/MT 78000-000
Expediente
Jornalista: Adalberto Ferreira
MTE 1.128/MT