Um estudo divulgado pela NASA e publicado na Nature Geoscience revela que a atmosfera terrestre pode colapsar mais cedo do que se pensava devido a desoxigenação, encurtando as condições de sobrevivência da Terra.
Pesquisadores indicam que o oxigênio atmosférico pode desaparecer drasticamente em cerca de 1,08 bilhão de anos. Este fenômeno é causado pelo aumento do fluxo solar à medida que o Sol evolui, destacando um futuro hostil para a biosfera.
Historicamente, a comunidade científica estimava que a habitabilidade terrestre se estenderia por cerca de dois bilhões de anos, baseando esse período no brilho constante do Sol. No entanto, as projeções reduzem esse tempo quase pela metade.
“Por muitos anos, a vida útil da biosfera da Terra foi discutida com base no brilho constante do Sol”, explicou Kazumi Ozaki, autor principal do estudo, alertando que, à medida que o astro aumenta sua emissão de calor, a Terra se transformará em um ambiente hostil, no qual o ciclo de carbonatos e silicatos levará a uma atmosfera pobre em dióxido de carbono e, eventualmente, a uma queda abrupta na disponibilidade de oxigênio.
Embora o imaginário coletivo frequentemente associe o fim do planeta à expansão final do Sol — um processo que ocorrerá em cerca de cinco bilhões de anos, quando o astro se tornar uma gigante vermelha e engolir a Terra —, a realidade biológica será muito mais breve. Antes que a água dos oceanos evapore completamente ou que a superfície terrestre se torne inabitável devido às altas temperaturas solares, o colapso da atmosfera eliminará todas as formas de vida complexa que dependem da respiração aeróbica. A pesquisa aponta que essa desoxigenação ocorrerá antes da fase de efeito estufa úmido, marcando um ponto de não retorno para a biosfera.
É importante destacar que essa projeção científica se refere à viabilidade global da biosfera e não necessariamente ao destino da civilização humana. Diversos fatores ambientais, mudanças climáticas causadas pelo homem e eventos astronômicos imprevisíveis atuam como variáveis que podem alterar drasticamente o futuro da humanidade muito antes de o Sol esgotar seu ciclo de habitabilidade. Ainda assim, o estudo reforça que, em escala geológica, o destino da Terra está intrinsecamente ligado à evolução estelar e à estabilidade atmosférica que hoje permite a nossa existência.




